domingo, 5 de maio de 2013

UM AMOR NÃO CORRESPONDIDO


Oseias 11


Creio que grande parte de nós experimentamos na adolescência um amor não correspondido. Alguns experimentam até mesmo em sua fase adulta. Mas pior do que um amor nesse sentido, é o amor de pai para filho não correspondido. É lamentável ver o semblante de um pai que carrega a tristeza de amar a seu filho e não ter este amor correspondido. De saber que, como pai, ele fez tudo que podia, mas que infelizmente não recebe em troca nada disso.
No texto de Oseias, Deus agora como pai se queixa do amor não correspondido de seu filho, Israel. Veremos dois aspectos que o texto em questão nos mostra. O primeiro são os passos que Israel deu até a queda. O segundo, como Deus se comportou, apesar de tudo que seu povo fazia.


1.   Passos para a rejeição (v. 1, 2, 7)

A ideia de Deus amar desde que Israel era menino carrega o peso da escolha soberana de Deus por um povo que não era maior do que outros povos, nem tinha mérito algum. Assim como um pai ama seu filho, ainda que ele não seja do jeito que deseja, assim é o amor de Deus para com seu povo. Deus ama seu povo de uma forma tremenda. É um amor eletivo que não olha para as obras do seu povo, nem para seu comportamento. Deus simplesmente ama seu povo.
Mas o amor de Deus pelo seu filho não é correspondido. Vimos nos sermões anteriores que Deus acusa Israel de ter abandonado seus caminhos desde aquele dia horrível em Gibeá. Duas coisas Oseias nos mostra que que levaram Israel a rejeitar a Deus: a prática da idolatria associada a misticismos e o desvio da presença de Deus, não dando ouvidos mais à sua Palavra e seus conselhos.

a)    A prática da idolatria e do misticismo (v. 2)

“Mas, como os chamavam, assim se iam da sua face; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura.”

Na Nova Tradução na Linguagem de Hoje afirma-se:
“...quanto mais eu o chamava, mais ele se afastava de mim. O meu povo ofereceu sacrifícios ao deus Baal e queimou incenso em honra dos ídolos.”

Deus insistia em chamar seu povo. Seu amor misericordioso e longânimo fazia com que Ele suplicasse para o retorno de Israel. Mas o povo não ouvia a voz de Deus. E ai mergulhou na idolatria e no misticismo.
Amados, parece que hoje estamos vendo a mesma coisa. Profetas têm avisado do descaso do povo de Deus para com Ele, mas o povo não ouve. Cada dia mais o povo que se diz cristão mergulha em misticismo, cada dia mais a idolatria tem feito parte da vida daqueles que são chamados de cristãos.
Está na hora de repensarmos nossos valores diante de Deus. De voltarmos para sua presença. 

b)    Desviar-se da presença de Deus (v. 7)

“Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim; bem que clamam ao Altíssimo, nenhum deles o exalta.”

Deus chamava, mas o seu povo saía de sua presença. A tradução do versículo 7 é muito difícil. Pode ser feito no sentido que o clamor ao Altíssimo seja um clamor a Baal. Mas também pode significar que Deus não ouvia pois era um clamor interesseiro. Creio que qualquer uma das traduções pode se encaixar no contexto de geral do texto.
Muitos hoje carregam o rótulo de cristãos, mas têm clamado a outros deuses. Muitos carregam o nome de cristãos, todavia buscam a Deus de uma forma interesseira.
Porém, apesar das traduções se encaixarem no contexto geral, parece que o contexto específico aponta para a primeira ideia. Logo no início do versículo Deus expressa: “...o meu povo é inclinado a desviar-se de mim”. Ou seja, não era o Altíssimo, Senhor dos senhores, que o povo clamava. Estavam desviados dEle. Colocaram outro no lugar e saíram de sua presença. Como isto entristece o coração de Deus.

2.   O comportamento de Deus

Apesar desses passos firmes para a rejeição Deus continua amando seu povo. Ele olha com carinho para seu filho amado. E não desiste dele. Vejamos qual foi o comportamento de Deus.


a)    Continua a ensinar o caminho (v. 3)

“Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que eu os curava.”

Oseias agora se refere às rebeliões no deserto que o povo de Israel fizera. Deus os tira do Egito, mas eles caem na idolatria e se afastam do Senhor. Deus os disciplina fazendo com que caminhem por 40 anos no deserto. Mas o povo não entende isso e se afasta de Deus. Israel não consegue ver que estava sendo cuidado por Deus, que Ele queria o melhor para seu povo e jamais o deixaria de amar.
Como é triste saber que hoje não somos muito diferentes disso! Como é triste saber que Deus tem cuidado do seu povo, mas este tem se afastado de seus caminhos. O Israel Espiritual hoje tem mergulhado em outro tipo de idolatria, a idolatria a si mesmo.
Assim como Israel, Deus hoje tem cuidado do seu povo. Seu amor se manifesta através de muitas maneiras, e se manifestará ainda mais na disciplina que recairá sobre seu povo. Que pena que chegaremos, assim como Israel, a um cativeiro espiritual para que possamos ser purificados. E muitos insistem em não crer nesse paralelo profético.


b)    Cumpre suas promessas (v. 4)


“Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento.”

Deus prometeu sustentar seu povo no deserto, e fez isso. Ele cumpriu o que prometera, apesar de toda falha que Israel cometera.
O Senhor jamais falha com suas promessas. Eis um motivo para termos paz em nosso coração. Hoje há muitos que pregam que Deus não garante a salvação de ninguém. Como é lamentável que pessoas sérias não conseguem ver a segurança tremenda que vem de Deus.
Jesus hoje afirma que não lançará fora aquele que se achegar até ele e, ainda diz, que ninguém tem capacidade de o tirar de suas mãos. Que poder tremendo? Que amor majestoso? Será que você realmente já experimentou este amor?

c)    Age com grande misericórdia (v. 9)


“Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não entrarei na cidade.”

Deus afirma que não vai executar seu furor sobre Israel. Parece contradizer tudo que até aqui ele vinha falando. É muito importante saber separar disciplina da ira de Deus. Não ficamos livres de sua disciplina, mas com certeza seremos libertos de sua ira.
A misericórdia é o centro deste livro profético. Quando Deus manda Oseias continuar com sua esposa, apesar do adultério, é porque Ele quer ensinar acerca de sua graça e de sua misericórdia. Deus ama seu povo, e ainda que este em alguns momentos o rejeite, o Senhor jamais abandonará seu povo.
A ira de Deus é impedida de agir pela sua santidade. A santidade de Deus regula sua ira, seu amor, e todos os outros atributos. Ela é que mantem tudo em perfeito equilíbrio. Deus é santo em todos os seus atributos. E a sua misericórdia estará sobre seu povo todos os dias, até a consumação dos séculos. Seu amor sempre estará a nos guiar, por causa de sua santidade.

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