segunda-feira, 27 de maio de 2013

UMA CONSTANTE DESOBEDIÊNCIA

Oseias 12:1-10


Oseas mostra o amor de Deus no capítulo 11, mas o término deste já deixa a ideia de que Israel não ouviria o chamado de Deus. Deus então mostra mais uma vez o que Israel estava fazendo. Ele mostra a dor no coração por ver o quanto seu filho estava longe de seus preceitos. O quanto sua esposa amada estava traindo seu amor e confiança. O quanto a vide frondosa produzia frutos que o desagravam.
Deus restaura seu povo para que este possa glorificá-lo, mas infelizmente este mesmo povo não consegue caminhar nos caminhos que Deus estabelecera.
Neste trecho que acabamos de ler Oseias vai mostrar mais uma vez os problemas de Israel e as soluções que Deus mostra para que se resolva a questão.

Os problemas da desobediência

1. Os ídolos não tem valor algum (12:1)

“Efraim se apascenta de vento...”

A ideia de apascentar vento refere-se a fé voltada para ídolos que estava permeando o coração de Israel. Deus estava com seu coração entristecido pela distância entre ele e seu povo por causa da idolatria.
A grande questão sobre a idolatria não se repousa apenas no fato de Deus não aprovar, mas principalmente no valor que ela tem para o homem. Os ídolos não tem valor algum. É exatamente isto que Isaias afirma:

“...nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura, feitas de madeira, e rogam a um deus que não pode salvar.” (Is 45:20)

Perceba o que afirma o profeta, além de não saber nada aqueles que confiam em imagens, estas não podem fazer nada para salvar. Ou seja, não tem valor algum para a salvação de nossa alma.
Pedro e João diante dos sábios do Sinédrio afirmaram o seguinte:

“E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (At 4:12)

Preste atenção, em nenhum outro há salvação, implica não apenas em ídolos imaginários, como Baal, como também pessoas, mesmo que estas tenham feito grandes obras para Deus, como Maria, Paulo, Pedro, e qualquer outro apóstolo.
Não há valor algum nos ídolos ou imagens, é a Bíblia que está dizendo, não sou eu. É a Palavra de Deus que nos garante isso. Paulo escrevendo à Timóteo nos garante o seguinte:

“Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (I Tm 2:5)

Segundo este texto não existe capacidade alguma de um outro ser mediar-nos diante de Deus. O complemento dele afirma que Jesus pagou o preço de nossa redenção. Não foi Maria que pagou, nem foi Baal que pagou, mas foi Jesus, através de seu sangue (I Tm 2:6).
A idolatria ou veneração a outros seres, sejam reais ou não, não tem valor algum, além de desagradar o coração de Deus.

2. Religiosidade vazia não agrada a Deus (12:3-5)

Neste trecho Oseias lembra de Jacó. Das lutas que esse patriarca teve. Mas a lembrança não é positiva, é negativa. Deus lembra que Jacó buscava a Deus, mas não estava dentro da vontade de Deus. Jacó usou de mentiras para conseguir o que queria, apesar das promessas de Deus.
Depois da idolatria segue outro problema que assolava o povo de Deus. Buscavam cumprir seus ritos, mas na realidade estavam distante de Deus e também o desagradavam.
Isaias sobre isso diz algo que Jesus ratifica em Mateus 15:8:

“Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim e, com a boca e com os lábios, me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído” (Is 29:13)

Israel e Judá até tentavam cumprir os rituais que Deus estabelecera. Tudo indica que grande parte destes ritos eles cumpriam, mas infelizmente não agradavam a Deus. Sua religiosidade não era sincera, mas como a de Jacó, era interesseira.
Hoje cada dia mais aumenta o número de pessoas que lotam as igrejas ditas evangélicas, mas por outro lado, cada vez mais, cresce a religiosidade baseada somente em interesses pessoais. Não se busca a igreja para glória de Deus, mas para a glória própria.
Mais uma vez nos faz lembrar Gênesis 22. Abraão falou para Isaque que Deus proveria um cordeiro para si. O cordeiro não seria para livrar Isaque ou Abraão da dor, mas para glorificar a Deus e satisfazer ao Senhor. Ainda assim Abraão permaneceu firme em sua fé.
Nossa fé precisa ser como a de Abraão. Ele não buscava por interesse, mas por amor a Deus acima de todas as coisas.

3. Uma vida torta e desonesta (12:7)

Outro grave problema que assolava a nação de Israel era a desonestidade do próprio povo. Deus condena veementemente esse tipo de coisa. É muito cômodo cobrar honestidade das autoridades, dos líderes, quando não se faz o mínimo de esforço para mudar.
Nosso país nesse ponto se parece muito com Israel. O povo cobra das autoridades, mas poucos são os que realmente se esforçam entre o próprio povo para se manter reto e íntegro diante de Deus e dos homens.
Mesmo o povo chamado cristão é adepto do “jeitinho brasileiro”. São “crentes” que vendem dvd´s piratas nas praças e outros que compram como se nada tivesse ocorrendo. E ainda justificam o pecado colocando a culpa nos preços absurdos. Ora se acha que o preço é absurdo significa que aquela pessoa que canta e vende não merece minha atenção.
São pessoas que acham normal enganar e mentir, afinal, todo mundo faz assim. É a balança enganosa que faz parte do Israel de Deus hoje. É necessário uma postura diferenciada diante de um mundo que vive pela desonestidade e pelo interesse. Mas diante de tudo isto Oseias oferece a solução para a crise.


A solução para a crise


Apesar da dor, Deus continua dando chances a seu povo. Em meio à exposição dos pecados de Israel, vemos as soluções que o próprio Deus aponta para que o problema seja sanado.

1. É necessário uma mudança de vida e de atitudes (12:6)

“Tu, pois, converte-te a teu Deus; guarda a beneficência e o juízo e em teu Deus espera sempre.”

Oseias mostra que Deus deseja que seu povo tenha um novo comportamento e novas atitudes. São três coisas pedidas que somadas fazem com que ocorra a mudança:

a)    Conversão genuína

“...converte-te a teu Deus...”

Ninguém que realmente afirma seguir ao Senhor pode fazê-lo sem a consciência que precisa ter uma nova mentalidade. A palavra usada no original remete-nos à ideia de retornar ao caminho correto. A caminhar dentro daquilo que foi estabelecido desde o princípio para o povo de Deus.
Uma das Nove Marcas de Uma Igreja Saudável (ministério desenvolvido por Mark Dever nos EUA) é o conhecimento do que é conversão e o que é o evangelho. Estas duas marcas andam juntas. Não podemos compreender nossa conversão se não compreendermos bem o que significa o evangelho. A conversão envolve tudo isso.

b)    Fidelidade total

“...guarda a beneficência e juízo”

Tem-se aqui uma tradução difícil, mas a grande possibilidade é de que se referia ao aspecto da bondade para com Deus e para o próximo. De qualquer forma o que Deus quer é a fidelidade na vertical (com Ele mesmo) e na horizontal (com o próximo). O fato da expressão “juízo” completar a frase, transfere a ideia que Deus exige honestidade nos negócios.
Precisamos rever nossos conceitos e valores. Precisamos rever nossa ideia de justiça para que possamos realmente ter um comportamento ético que condiga com aquilo que Deus estabelece em sua Palavra.

c)     Confiança nas promessas de Deus

“...em teu Deus espera sempre.”

Eis um ponto que Davi compreendeu muito bem. Nos salmos 42 e 43, por três vezes ele faz as seguintes perguntas:

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim?...” (42:5, 11; 43:5)

Nas três interrogativas as respostas se iniciam com a expressão: “Espera em Deus...”. No livro de Salmos por 10 vezes vemos a ideia de esperar em Deus. No Antigo Testamento esta ideia fica explicita em pelo menos 65 versículos e implícita em outra centena de versos. Esperar em Deus é a ideia de saber que Deus chamais falhará em suas promessas. É conhecer que ele tem algo melhor para seu povo.
Paulo é alguém que também expressa muito bem isto:

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (II Co 4:17)

Veja bem, ele afirma que nossa tribulação nesta vida, será sempre leve se comparada àquilo que nos aguarda na eternidade. Isto é esperança. Isto é esperar em Deus. Se hoje vivemos dias em que crentes vivem sem esperança, deprimidos e abatidos em suas vidas, é porque estes mesmos crentes não aprenderam a esperar em Deus como Davi e Paulo, é porque a grande maioria tem sua expectativa apenas nas coisas desta vida. Veja o que Paulo diz sobre isso:

 “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” (I Co 15:19)

Observe que Paulo deixa claro que você pode até esperar nesta vida, mas se for somente para ela, você se torna a pior das criaturas diante de Deus. O Senhor não nos criou para este mundo, mas para algo muito maior e melhor. Aceite isso e viva feliz na esperança do Senhor.
Amado, ou amada, coloque sua vida nas mãos de Deus. Coloque suas angustias nas mãos daquele que domina sobre todas as coisas. E nunca confie em suas forças.
  

2. Não confiar na própria força (12:8)

“E diz Efraim: Contudo, eu tenho-me enriquecido, tenho adquirido para mim grandes bens; em todo o meu trabalho, não acharão em mim iniquidade alguma que seja pecado.”

Efraim aqui representa o reino do Norte, Israel, não é uma mudança de pessoa, apenas um tratamento diferente para a mesma. Como já descrevemos em sermões anteriores, Israel estava experimentando uma certa prosperidade. Isto ocorreu principalmente no reinado de Jeroboão II. Esta prosperidade foi uma das causas da decadência espiritual de Israel, embora se mostrasse uma aparente espiritualidade.
Hoje a igreja está vivendo uma decadência espiritual e uma prosperidade material, exatamente como Israel. Talvez seja esse o motivo da queda no testemunho e na vida cristã. Muitos confiam somente em sua própria força.
Mais uma vez Davi nos ensina através de uma dos seus salmos:

“Uns confiam em carros, e outros, em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor, nosso Deus.” (Sl 20:7)

Nossa confiança deve ser baseada na força que vem de Deus e não de nós mesmos. Pense nisso e coloque no Senhor sua fé e sua confiança, sabendo que Ele tem sempre algo maior para nós, se não nesta vida, na vindoura.

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