segunda-feira, 10 de junho de 2013

A VITÓRIA SOBRE A TENTAÇÃO


Lucas 4:1-13 (Mt 4:1-11; Mc 1:12,13)


1 E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto.
2 E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e, naqueles dias, não comeu coisa alguma, e, terminados eles, teve fome.
3 E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão.
4 E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escrito está que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra de Deus.
5 E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe, num momento de tempo, todos os reinos do mundo.
6 E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.
7 Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
8 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás.
9 Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo,
10 porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem
11 e que te sustenham nas mãos, para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.
12 E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor, teu Deus.
13 E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo.

No último sermão observamos que Jesus sofreu a tentação mesmo sendo uma pessoa cheia do Espírito Santo de Deus. O fato de alguém estar na presença de Deus não o impede de passar por dificuldades nesta vida. Aprendemos ainda que as tentações ocorrem com a permissão de Deus e com o oportunismo do inimigo de nossas almas, o Diabo. Além de tudo isto, vimos que a tentação se aproveita de fraquezas que já temos para que, de uma forma sedutora, possamos ser vencidos.
No sermão de hoje veremos que Deus nos dá as ferramentas para a vitória sobre a tentação e que Jesus soube usar muito bem tais ferramentas.
Após 40 dias no deserto a fome chega sobre Jesus e o Diabo se aproxima dele. Isto pode ocorrer também conosco, não apenas na parte alimentar, mas em outras áreas. Depois de passarmos algum tempo lutando contra os desertos que surgem em nossas vidas, surgindo a fraqueza e o desânimo e decorrência das muitas lutas, o inimigo de nossas almas se aproxima de nós. Pedro afirma que ele anda ao nosso derredor, “bramando como um leão, buscando a quem possa tragar” (I Pe 5:8). Este bramir dele vem para nos desestabilizar. E aí ele pode fazer a investida que deseja. Nesta, devemos estar preparados para uma grande batalha. Não é à toa que Paulo diz que nossa luta “não é contra a carne e o sangue, mas contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Ef 6:12). E nesta luta, se usarmos as armas de Jesus, com certeza seremos vitoriosos.  Vejamos as armas que Jesus nos oferece.

1.   Manter-se cheios do Espírito (v. 1)

“E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto.”


A Palavra de Deus é mesmo fantástica. No último sermão esta mesma expressão foi utilizada para mostrar que não estamos isentos do sofrimento, mesmo quando estamos em comunhão com Deus, com um vida cheia do Espírito. Mas, por outro lado, também não podemos enfrentar com vigor as astutas ciladas do inimigo, se não tivermos uma vida cheia do Espírito Santo. É uma coisa que parece ser antagônica, mas não é. Estar cheio do Espírito não evita as lutas, mas nos prepara para elas.
Escrevendo aos efésios, Paulo mostra que ser cheio do Espírito implica (Ef 5:18-21):

  • Em uma vida de piedade e devoção (v. 19 – “falando entre vós com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”);
  • Em uma vida de gratidão a Deus e a Cristo (v. 20 – “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo”);
  • Em uma vida de comunhão e sujeição à igreja (v. 21 – “sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus”).


O que Paulo nos mostra que a santidade é o grande sinal de que estamos cheios do Espírito e isto é acompanhado de piedade e devoção, gratidão e obediência. Deus estabelece que esta é a vida cheia do Espírito.
O mesmo Paulo, escrevendo aos gálatas, determina que existe um fruto do Espírito que precisamos demonstrar. Ele deve mostrar para as pessoas que somos realmente transformados por Deus (Gl 2:22,23).
No livro de Atos encontramos algumas passagens que afirmam que as pessoas estavam cheias do Espírito Santo. E, mesmo a Igreja sendo perseguida, essas pessoas conseguiam sentir alegria e paz em seus corações. Suas lutas e desesperos físicos não tiravam sua alegria e vontade de servir a Deus. Isto ocorria porque elas estavam cheias do Espírito Santo.
Esta é a primeira grande arma contra o inimigo de nossas almas. Mas mesmo assim ele pode não desistir e continuar atacando. Foi exatamente o que fez com Cristo. Mas aí ele nos apresenta uma outra arma poderosa.

2.   Alimentar-se de toda Palavra de Deus (v. 4)

“E Jesus lhe respondeu, dizendo: Escrito está que nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra de Deus.”

É muito comum termos alguns versículos que nos agradem mais. É normal que sintamos mais atração por este ou aquele versículo da Palavra de Deus. Mas, se não temos nos alimentado de toda Palavra de Deus, somos presas fáceis para o inimigo de nossas almas.
No versículo em questão Jesus deixa claro duas coisas. A primeira é que devemos nos desprender das coisas desta vida (“nem só de pão viverá o homem”). No caso o que Jesus quer dizer é que devemos deixar nossa ansiedade e medo nas mãos de Deus que ele cuidará de tudo. Mas adiante, no sermão do Monte, Jesus vai expor isso com muita propriedade, por isso não nos deteremos mais.
A segunda coisa, que é o alvo deste ponto, é que devemos nos alimentar de toda Palavra. Podemos comparar o alimentar de toda Palavra com nosso alimento diário. Por mais que gostemos mais de um do que de outro, devemos nos alimentar de tudo que pudermos para que possamos ter um organismo saudável. Se queremos ter um espírito saudável devemos nos alimentar de toda Palavra. Mesmo daqueles trechos que parecem com aquele alimento que você não gosta muito, mas que precisa se alimentar.
O agravante de tudo isto é que os alimentos podem ser substituídos. Por exemplo, você não gosta de um alimento que contem ferro, mas pode substitui-lo por outro. No caso da Palavra não há substituto. O máximo que podemos fazer é lermos uma versão mais fácil ou agradável, mas ainda assim precisamos dela toda. Toda a Palavra deve nos alimentar.
O salmo 119 é o maior capítulo da Bíblia. São 176 versículos que formam uma poesia à Palavra de Deus. Nele descobre-se que aquele que atenta para a Palavra não será confundido (v. 6, 80). Vence o pecado (v. 9). Anda com liberdade (v. 45). Recebe consolo (v. 52). Tem mais alegria nela do que muitas riquezas (v. 72, 127). Alcança entendimento (v. 104, 130). É guiado em seus caminhos (v. 105). Tem temor no coração por causa da santidade de Deus (v. 120). Vê a justiça eterna de Deus (v. 142). Percebe a própria verdade de Deus (v. 151, 160). Volta ao aprisco do Senhor (v. 176).
Quão maravilhosa é a Palavra de Deus. Quão sublime é a Palavra de Deus para aqueles que temem verdadeiramente o Senhor. É ela que deve nos fortalecer ainda mais para enfrentarmos o nosso grande inimigo.  Mas, apesar disso, o inimigo pode continuar a nos atacar. Porém, Jesus nos ensina mais uma arma poderosa.

3.   Uma atitude de adoração e serviço (v. 8)

“E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Adorarás o Senhor, teu Deus, e só a ele servirás.”

Pregando em Oseias falei sobre o perigo da idolatria. Existem muitas coisas que podem nos tornar idólatras. A idolatria é uma arma poderosa de Satanás para fazer com que o povo de Deus se desvie de seu caminho. A proposta idolátrica pode vir durante um momento de fraqueza, como no caso de Jesus no deserto. Mas, assim como Jesus, podemos vencer mantendo esta atitude de adoração e de serviço.
Muitos com o tempo são vencidos por Satanás em sua luta nesta vida porque deixam de servir e de adorar. O autor aos hebreus nos lembra que devemos frequentar a congregação para que possamos admoestar uns aos outros esperando por aquele grande dia (Hb 10:25).
Voltando ao texto de Pedro. Ao caminhar ao nosso redor, o Diabo está sempre atento se estamos ou não servindo ao Deus; se estamos ou não adorando ao Senhor. Ele percebe se nossa adoração é sincera. Se nosso culto é sincero. Ele percebe se realmente estamos servindo a Deus. E sempre estará pronto para dar o bote contra os escolhidos de Deus.
Quando você vive uma vida de adoração relaxada. Priorizando seu lazer, sua diversão ou simplesmente o seu exercício físico, você pode estar sendo vigiado por Satanás bem de perto. E a qualquer momento ele pode lhe dar o bote fatal e você cairá. 
Quando você vive uma vida aonde o banco é seu único companheiro no santuário. Uma vida que não se coloca à disposição de Deus para servir, nem mesmo busca isso através da dedicação. Você também é um alvo fácil de Satanás.
Através de uma vida de adoração e serviço, podemos ser vitoriosos diante de Satanás, mas ainda assim ele continuará a nos atacar. Jesus então nos apresenta a última arma para a vitória completa.

4.   Quando perseveramos em submissão ao Senhor (v. 12)

“E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor, teu Deus.”

Jesus cita um texto onde Moisés está ensinando sobre obediência à lei de Deus. Por sua vez o versículo que Jesus cita (Dt 6:16), remete-se a um momento negro da peregrinação no deserto do povo de Israel e este então começa a murmurar preferindo até mesmo voltar para o Egito (Êx 17:1-7). Eles não estavam aceitando a direção que Deus dera. Eles não aceitavam o senhorio de Deus sobre suas vidas.
Muitos hoje estão do mesmo jeito. Muitos vivem um cristianismo de murmuração. Muitos vivem um cristianismo onde seu desejo é mais importante do que a vontade de Deus. Deus estava convidando aquele povo no deserto a ser fiel em sua jornada e aguardar pela sua providência. Da mesma forma Deus hoje chama seu povo.
Talvez sua vida esteja cheia de lutas, mas você não percebe que elas poderiam ser mais aliviadas com a presença soberana de Deus em sua vida. Ou talvez ainda você até afirma que segue a Deus, mas não consegue ver, assim como aquele povo no deserto, que vale a pena obedecer a Deus.
Muitos hoje pregam que se pode aceitar a Jesus, sem aceitar o senhorio. Ledo engano. Um dos grandes problemas na pregação do evangelho é quando mostramos apenas as benesses dele, mas não expomos os deveres. A pregação completa do evangelho envolve a compreensão plena da nossa situação diante de Deus (somos pecadores perdidos), da obra que Deus fez para nós enviando Jesus, do arrependimento de nossos pecados com a devida confissão, e por último, de aceitar a Cristo como Senhor e Salvador de nossas vidas.
É impossível vencer o inimigo sem ser submissão à vontade de Deus. Pior do que isso, é impossível sequer praticar qualquer um dos pontos anteriores, se Deus não for Senhor de nossas vidas. Se não buscarmos uma vida de obediência na presença de Deus.
Talvez muitos hoje têm sofrido com um cristianismo pobre e sem vida porque lhes falta a perfeita compreensão do senhorio do Senhor. Talvez muitos vivam sem a certeza da vida eterna e da eleição divina, porque não conseguem compreender que Deus é Senhor, ainda que estejamos no deserto. Jó disse algo tremendo que virou uma das músicas mais lindas que conheci até hoje:

“Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido.” (Jó 42:2)

A música diz o seguinte:

Bem sei que tudo podes Meu Amado
Nenhum dos Teus planos é frustrado
Ainda que com perdas e com dor
Eu sempre seguirei a ti Senhor
Os Teus caminhos posso não entender Senhor
Mas sei que tudo é visando o meu crescer
Se lutas e tribulações
Eu tenho que passar
Te peço forças pra continuar
Continuar a crer e a confiar
No grande amor que tens Meu Pai por mim
O meu desejo eterno é te adorar
E aos teu pés me derramar
Sem fim

Derrame-se hoje aos pés de Jesus. Aceitei-o como Senhor de sua vida. Os desertos sempre ocorrerão, mas o Senhor estará consigo, aonde quer que vá, e lhe reservará uma grandiosa salvação.

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