segunda-feira, 3 de junho de 2013

EM DIREÇÃO DA IRA DE DEUS



Oseias 12:10-14




Deus prepara o golpe final contra o povo rebelde. Ele se prepara para derramar sua disciplina, não confunda com sua ira vindoura, sobre o povo que escolhera, mas que infelizmente o rejeitara.
O tom do discurso divino é de tristeza. As expressões originais dão a ideia de um momento de dor e de aflição no coração de Deus. Iniciou-se assim os preparativos para o cativeiro Assírio para Israel e Babilônico de Judá. Quanta tristeza no coração de Deus! Quanta tristeza no coração do remanescente! Quanta tristeza no coração dos verdadeiros profetas! O povo caminhou para isso por causa de seu pecado. Será que isto não está ocorrendo hoje?

Sérgio Lopes parece retratar esses momentos a caminho do exílio de uma forma simples, mas muito bonita.

Quando em cativeiro te levaram de Sião
E os teus sacerdotes prantearam de aflição,
Foi como morrer de vergonha e dor
Caminhava triste o povo forte do Senhor.
Ah! Jerusalém por que deixaste de adorar
O Deus vivo que em tantas batalhas te ajudou?
Chora, Israel! Num lamento só
Talvez Deus se lembre do bichinho de Jacó!
Chora, Israel!
Babilônia não é teu lugar,
Clama ao teu Deus! E Ele te ouvirá
Do inimigo te libertará.

A pergunta que o cantor faz no início da segunda parte deve nos fazer pensar: “Ah! Jerusalém por que deixaste de adorar...?”. Deixar de adorar não consiste apenas no sentido litúrgico, mas compreende toda uma vida na ausência de Deus. Israel agora se afasta de Deus e entra em pecado. Eis os passos dados para chegar a esse ponto.

1.   Não se dá ouvidos aos profetas de Deus (v. 10)

“E falarei aos profetas e multiplicarei a visão; e, pelo ministério dos profetas, proporei símiles.”


“A apatia está por toda parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto; só que, quanto mais curto melhor”.   Charles Haddon Spurgeon

Essas palavras de Spurgeon fizeram parte de um dos momentos negros da história dos batistas ingleses. O príncipe dos pregadores estava alertando para algo que mais tarde se tornou o que ele mesmo chamou de “A Controvérsia do Declínio”. Spurgeon, juntamente com Robert Shindller, ambos pastores batistas, escreveram artigos que mostravam que a verdadeira fé estava sendo trocada por uma fé diferente. Que o evangelho que estava sendo pregado já não era mais o evangelho da graça. Tudo isto culminou com a saída de Spurgeon da União Batista Inglesa em 28 de outubro de 1887.
Spurgeon e Shindller não foram ouvidos. Apesar deles afirmarem que os principais culpados eram os pastores, mas o fato é que as pessoas estavam gostando daquilo. Assim como no tempo de Oseias, Ezequiel, Jeremias, entre outros, não se dava ouvido aos verdadeiros profetas de Deus.
Hoje a história se repete. O que mais agrada é a mensagem curta e animada. É o culto cheio de milagres e “avivado”. Profundas pregações da Palavra são trocadas por poesias humanistas cheias de beleza estética-gramatical, mas de pouco conteúdo que alcance alma do ouvinte.
Oseias alerta para a verdadeira mensagem. Ele fala que os profetas vão falar por meio de figuras de linguagem (símile). É uma forma de Deus filtrar o seu povo. É uma maneira de fazer com que somente o eleito entenda o que está sendo pregado.
Precisamos nos concentrar em pregar as verdades eterna. Precisamos nos concentrar em pregar a Palavra do jeito que ela se propõe a ser pregada. Sem medo que as pessoas não estejam entendo, porque aqueles que são chamados pelo decreto do Senhor, com certeza entenderão. Preguemos a Palavra.
Deus sempre nos manda pregar a Palavra. Veja o exemplo de Ezequiel:
“Mas tu lhes dirás as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.” (Ez 2:7)

Ou o de Paulo a Timóteo:
“...pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina.” (II Tm 4:2)

O povo não estava dando ouvidos à Palavra de Deus, e como consequência abandonaram a verdadeira religião.


2.   Abandona-se a verdadeira religião (v. 11)


“Não é Gileade iniquidade? Pura vaidade eles são; em Gilgal sacrificam bois; os seus altares são como montões de pedras nos regos dos campos.”

Este ponto é algo que Oseias reitera algumas vezes, bem como outros profetas. Israel vivia com uma religiosidade falsa. Eles buscavam, não a glória do Deus verdadeiro, mas buscavam somente sua própria glória. Sua religião apenas servia para atender os seus anseios nesta vida. Servia para atender suas expectativas de prosperidade, proteção contra inimigos, mas nada tem a ver com a realidade do culto a Deus.
Hoje não tem sido diferente. Busca-se a religião apenas como meio de atender os anseios terreais. A religião está completamente desacreditada, embora nunca se “produziu” tantos fieis (se é que podemos assim dizer). Mas a fidelidade está condicionada às bênçãos que são recebidas.
Assim como no tempo de Oseias, faz-se tudo para que se possa ter uma vida tranquila e prospera nesta vida. É lamentável, mas o fato é que os religiosos de hoje, em sua maioria, apenas se prende a esta vida. São ateus práticos, embora teístas teóricos.
Quando vivia em meu ateísmo acreditava que precisa viver da melhor maneira possível nesta vida, pois afinal não havia em meu coração a esperança de uma nova, tudo tinha que ser feito aqui para melhor se aproveitar. Depois que conheci a esperança cristã não consigo entender como que pessoas que se dizem cristãs estão tão presas as armadilhas desta vida. A religião passou a ser apenas um meio de fazer o melhor possível. Quer seja através de realizações pessoais, quer através da aquisição de bens ou coisas. A religião está longe daquela ensinada por Jesus, Paulo, Pedro e em especial Tiago (Tg 1:27).
Mas nessa vertiginosa queda espiritual da humanidade, a religião falsa nos leva a uma ingratidão pela obra verdadeira de Deus.


3.   Ingratidão pela verdadeira obra de Deus (v. 12, 13)

Deus volta a comparar a nação com Jacó. Mas agora ele mostra que o patriarca dá exemplo de confiança em Deus. Depois de pecar e vacilar diante do Senhor Jacó passa a entender a obra de Deus para sua vida.
Deus está mostrando com isso que Israel como nação não compreendia a obra do Senhor, e como consequência disso tinha uma postura ingrata diante de Deus.
Deus mostra que Ele opera como quiser e usa quem quiser. Ele faz alusão a José, que protegeu o povo da fome levando-o para o Egito. Mas logo em seguida ele lembra de Moisés que livrou o povo da opressão egípcia. Mas o povo não reconheceu que Deus o guardava e o guiava para algo muito melhor que o Egito.
Hoje tem sido da mesma forma. A igreja está repleta de pessoas que não conseguem ver a dimensão plena da obra de Deus. Pessoas que não conseguem entender que a maior obra que Deus faz é para nossa eternidade. Estamos tendo um comportamento ingrato para com Deus, semelhante àquele que o povo tinha em sua caminhada para o deserto.
A verdadeira obra de Deus é negligenciada por aqueles que se dizem seus servos. O céu não tem sido mais nosso alvo, pois este se tornou apenas nossas vaidade pessoais.
Meu amado, ou amada, observe bem o que o profeta falou para aquele povo. Será que não serve hoje para nossas vidas? Será que não estamos vivendo de uma forma bem semelhante ao povo de Israel?
Muitos estão nas igrejas apenas porque receberam bênçãos nesta vida, mas poucos são os que realmente sabem o verdadeiro valor do Calvário. Você entende o que quero dizer? Se você não consegue entender, pode ser que esteja muito longe da vontade de Deus e tem faltado temor pela ira de Deus em seu coração.

4.   Falta de temor diante da ira de Deus (v. 14)


O povo de Israel não estava mais preocupado com a ira de Deus. Eles já não achavam que podiam ser castigados pelo Senhor. Viviam como se nada fosse acontecer.
O autor da carta aos hebreus nos faz um alerta: “Horrenda coisa é cair na mãos do Deus vivo.” (Hb 10:31). Estas palavras mostram o quanto Deus odeia o pecado. O quanto o Senhor tem abominação pela desobediência e pela maneira desregrada de viver que o homem escolhe para si. É interessante que o alerta feito era para pessoas que tinham uma experiência pessoal com Deus, assim como o povo para quem Oseias profetizava. Deus não aceita o pecado do seu povo. O Senhor não admite que o povo que Ele escolhera pela sua obra desobedeça.
Mas parece que o povo não se importa muito com os alertas feitos pelos profetas, nem tão pouco hoje o povo se preocupa com os alertas feitos pelos poucos pregadores sérios da Palavra de Deus. Não há temor no coração do povo chamado povo de Deus. Creio que a qualquer momento sofreremos o derramar da disciplina de Deus assim como aquele povo na época de Oseias, pois estamos vivendo de forma dissoluta. Vivemos dias onde não se ama a Deus sobre todas as coisas, que não se ama o próximo. Ama-se somente as coisas e os prazeres, e ainda acha-se que se está sendo abençoado.
Precisamos refletir sobre o amor incondicional de Deus, mas também precisamos refletir sobre a nossa falta de amor ao Deus que por nós se entregou. Esta falta de amor faz com que nos esqueçamos de um atributo divino antagônico ao amor, sua ira. Que Deus tenha misericórdia de nós.

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