segunda-feira, 24 de junho de 2013

O CAMINHO QUE AGRADA A DEUS

 Oseias 13:5-11


A corrupção causada pela idolatria leva muita tristeza ao coração de Deus. Vimos que a idolatria gera um aumento do pecado e o abandono de Deus para com seu povo. A reputação do povo fica manchada e daí é necessário tomar o caminho de volta. Este por sua vez consiste em curvar-se ante o senhorio de Deus reconhecendo que Ele é único e que não há salvação fora dEle.
O profeta agora volta a descrever o sentimento de Deus para com a situação de Israel. Ele começa mostrando que Israel fora escolhido dentro de uma situação difícil (“deserto”), mas Deus ali o amou (“conheci”). A ideia aqui lembra muito o amor eletivo de Deus, ou seja, o amor sem mérito algum daquele que o recebe.
Deus mostra que a nação se ensoberbece quando prospera. É algo que parece vermos agora. A igreja ocidental, em especial a brasileira, tem se ensoberbecido cada vez mais. O aumento dos teólogos da prosperidade comprova isso. O fato das igrejas que propagam esta linha serem as mais cheias é a ratificação desse lamentável fato – a prosperidade ensoberbece o coração do homem, incluindo o povo de Deus.
Neste duro texto profético podemos enxergar o caminho que agrada a Deus.

1.   Reconhecer a obra principal que Ele fez (v. 5)

“Eu te conheci no deserto, em terra muito seca.”

Maioria defende a ideia que Oseias se refere aos anos de deserto que o povo passou. Apesar de ser inclinado a crer da mesma forma, fica em meu coração uma dúvida em função da expressão “conheci”. Tudo parece indicar que a referência aqui está ligada aos anos de cativeiro egípcio que são comparados a um deserto. De qualquer forma, creio que não muda a aplicação que podemos dar a este texto.
Deus escolheu Israel puramente por amor. Ele não tinha mérito algum, mas Deus ama Israel mesmo este estando ainda em pecado. A ideia de uma terra seca pode muito bem ser associada a inutilidade que somos e temos quando longe de Deus. Paulo afirma que todos se extraviaram e “juntamente se tornaram inúteis” (Rm 3:12). Sem Deus somos inúteis. Sem Deus não temos valor algum, pois nosso destino é a perdição eterna. Em outro momento, o mesmo Paulo afirma que Deus “prova seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5:8). Tais fatos demonstram o quanto Deus ama o seu povo. Ainda no deserto de nossa ignorância, e com a inutilidade dos nossos pecados, Ele nos ama.
Este fato deve nos levar a um grande reconhecimento, Deus nos ama para nos dar muito mais do que temos aqui nesta vida. Esta é a obra principal dEle. É por isso que temos que nos desapegar das coisas desta vida. É por isso que devemos estar preparados para nos encontrar com Deus sem nos deixarmos levar pelas coisas desta vida.

2.   Não se deixar vencer pelas coisas desta vida (v. 6)

“Depois, eles se fartaram em proporção do seu pasto; estando fartos, ensoberbeceu-se o seu coração; por isso, se esqueceram de mim.”

Oseias mostra que Israel foi vencido pelas vaidades da vida. Salomão escreve que tudo é vaidade (Ec 1:2). Paulo nos mostra que as coisas não tem poder nelas mesmas (Rm 14:14), apesar de serem lícitas, mas não podemos nos deixar vencer por elas (I Co 6:12).
Israel se achou autossuficiente só por causa das bênçãos que o próprio Deus lhe concedera. Como é triste quando o homem se esquece da obra de Deus em sua vida! É lamentável que muitos estão nas igrejas, mas seus corações estão em suas casas, nos seus carros, no seu lazer, entre tantas coisas, mas não está diante de Deus.
Mais uma vez me reporto a Paulo. Ele escreve aos Colossenses e mostra que devemos pensar nas coisas que são de cima. Gastamos tempo demais pensando nas coisas desta vida. Mais de 90% do nosso tempo é gerenciando nossos afazeres. Isto nos faz sermos vencidos por elas.
Quando nos prendemos demais a esta vida nos esquecemos de Deus. Quando nos prendemos demais ao que o mundo oferece nossa mente se esvazia de Deus.

3.   Aceitar a disciplina do Senhor (v. 7-9)

“Serei, pois, para eles como leão; como leopardo, espiarei no caminho. Como urso que tem perdido seus filhos, os encontrarei, lhes romperei as teias do seu coração; e ali os devorarei como leão; as feras do campo os despedaçarão.”

Depois de mostrar que Israel estava distante de Deus se achando autossuficiente, Oseias passa a descrever o que Deus iria fazer com o povo rebelde. Deus está mostrando que não aceita o pecado que entrou e contaminou a nação de Israel.
A ideia de ser como um leão e leopardo tem haver com a surpresa. São animais que se aproveitam da distração da presa para darem os seus “botes”. Mas para se aproveitarem dessa distração eles ficam na espreita de seus alvos. Deus está dizendo que está vendo cada movimento de Israel e cada escapa de seu olhar onisciente.
A ideia do urso está ligada a forma incansável de como Deus está olhando o seu povo. O castigo seria duro e firme.
Oseias mostra que isso ocorrerá por culpa de Israel que se perdeu em seus devaneios materialistas. Sendo assim, o que nos resta é aceitar o castigo que vem de Deus.
Hoje não seria diferente. O povo de Deus tem caminhado pela mesma trilha pecaminosa de Israel. A idolatria, a injustiça e a mentira estão presentes no meio do povo de Deus. Ele prepara o anticristo para nos purificar e disciplinar. Quão inocentes são aqueles que acham que Deus irá arrebatar esta igreja pecadora sem antes fazer um tratamento como fez com Israel. Essa disciplina apenas prova que nossos pensamentos não são os do Senhor e somos totalmente incapazes por nós mesmos.

4.   Reconhecer a nossa incapacidade (v. 10)

“Onde está, agora, o teu rei, para que te guarde em todas as tuas cidades? E os teus juízes, dos quais disseste: Dá-me rei e príncipes? Dei-te um rei na minha ira e to tirei no meu furor.”

Oseias retroage no tempo. Ele vai até um momento histórico e triste de Israel. Aquele momento terrível em que queriam um rei e menosprezaram a Samuel, mas principalmente o próprio Deus. Eles pediram um rei porque acharam que a solução de seus problemas se baseava em ações humanas. Quanto engano.
Hoje muitos baseiam seu cristianismo nesse ou naquele líder. Olham suas qualidades humanas, mas poucos observam o lado espiritual. Valoriza-se se um líder sabe administrar, se é um bom estrategista, se tem ideias mirabolantes de crescimento, mas não se olha se sua mensagem é bíblica, se o que está sendo ensinado realmente está dentro do propósito de Deus.
Deus chama seu povo para reconhecer o seu pecado. Ele chama seu povo ao arrependimento pelo erro de querer um líder segundo o seu coração. Será que isto não tem ocorrido hoje também? Será que não estamos nos concentrando em homens que possam dar soluções e não em Deus?

Que Deus nos ajude a enxergarmos a nossa incapacidade e voltarmos à sua presença.

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