domingo, 7 de julho de 2013

EFEITOS DA PRESENÇA DE JESUS

João 2:1-12


1 E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus.
2 E foram também convidados Jesus e os seus discípulos para as bodas.
3 E, faltando o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.
4 Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.
5 Sua mãe disse aos empregados: Fazei tudo quanto ele vos disser.
6 E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam duas ou três metretas.
7 Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.
8 E disse-lhes: Tirai agora e levai ao mestre-sala. E levaram.
9 E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os empregados que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo.
10 E disse-lhe: Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então, o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.
11 Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.
12 Depois disso, desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos, e ficaram ali não muitos dias.


Esta é uma passagem singular. Nela se encontra o motivo de sua inserção no cânon sagrado:
“Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele.” (v. 11)

Há algum tempo atrás um certo “bispo” disse que não concordava com essa passagem pois não entendia por que Jesus “apenas” transformou água em vinho. É lamentável que alguém que se diz profeta de Deus, que se autodenomina bispo do Senhor, afirma que uma parte para Palavra parece não ter utilidade. O próprio João deixa isso muito claro quando afirma que todos os sinais feitos foram feitos para que Jesus fosse crido (Jo 20:30,31).  J.C. Ryle afirma:
“O milagres descrito nesses versículos possui interesse especial aos olhos do crente verdadeiro” (J. C. Ryle, Meditações no Evangelho de João, p. 25)


Pelas palavras do ilustre autor, aquele que duvida do valor desta passagem, não é um crente verdadeiro. Mas isto eu deixo que o Senhor julgue.
Este também é o último momento em que João procura tratar com uma certa cronologia antes de entrar na paixão de Cristo. Creio que este foi o último evento antes de Jesus ir para o deserto. Ele ocorre três dias depois dos fatos do último sermão.
 Este sermão é baseado em outro de minha autoria: “Jesus no casamento”. No último ponto deste utilizarei os pontos do outro para concluir.
Jesus aqui está mostrando a importância do casamento e o valor dele. Em nossos dias muitos estão desvalorizando o casamento. Há aqueles que já casam pensando em se separar. Isto significa que há muita importância nessa pequena célula da sociedade. O fato do primeiro milagre de Cristo ser dentro do casamento deve nos servir de base para pensarmos melhor sobre esse importante elo criado por Deus.
Vale lembrar que Paulo afirma que o casamento simboliza a união mística entre Cristo e a Igreja (Ef 5:32). Logo, não é à toa que o primeiro milagre de Cristo foi dentro do casamento.
Outra coisa interessante é notar que Jesus participou e legitimou aquela festa. Muitos grupos afirmam que não podemos comemorar nem mesmo o casamento, creio que estes grupos não conhecem esta passagem, e tantas outras que Jesus está no meio do povo em alguma cerimônia ou comemoração. Chegou ao ponto de Cristo ser acusado de beberrão e comilão (Mt 11:19).
Mas, apesar de todos estes fatos que envolvem este texto o mais importante é o que ele está transmitindo para os nossos dias. E é sobre isto que quero meditar a partir de agora.

1.   A presença de Jesus não impede que surjam os problemas (v. 3,4)


Jesus estava presente naquela cerimônia. Ele fazia parte dos convidados e ali estava para celebrar juntamente com os noivos e seus familiares. As bodas judaicas em média duravam sete dias. Eram cheias de símbolos e ritos que procuravam valorizar a união estabelecida por Deus. O dia final era um momento muito especial. Como início de uma nova vida os judeus criam que os pecados dos noivos estavam sendo perdoados. As pessoas presentes reverenciavam a noiva e procuravam agradá-la ao máximo.
Deus valoriza tanto o casamento que após a realização do mesmo o casal tem direito a um ano de lua de mel. Ele não poderia ser convocado nem sequer para a guerra (Dt 24:5).
É interessante notar que Jesus estava presente naquela cerimônia, mas mesmo assim nem tudo ocorreu como as famílias queriam. Aliás, alguns estudiosos acreditam que a causa da falta de vinho foi exatamente por causa da presença de Jesus. Explico. Quando Maria é convidada Jesus já tinha iniciado o seu ministério. Junto com Ele estavam seus discípulos. Não seria educado da parte de Maria ir com Jesus, seus filhos e não levarem junto seus discípulos. Portanto, a presença de mais pessoas do que o previsto pode ter causado a falta de vinho.
Aprendemos aqui então que não apenas a presença de Cristo não impede os problemas, como também a mesma pode trazer problemas. Jesus deixa isso claro quando afirma no sermão do monte que é bem aventurado aquele que por causa dele sofre perseguição (Mt 5:10-12).
É por isso que não podemos concordar com a teologia da prosperidade quando afirma que Jesus não permite que ocorra problema conosco, não só permite, como pode trazer em virtude da fé. Mas ainda assim vale a pena seguir a Cristo. 

2.   Jesus opera dentro de sua vontade e não da nossa (v. 4)


Muitos questionamentos são feitos sobre o tratamento que Jesus dá a Maria. Nada tem de errado dado o contexto no qual está inserido o texto. Para iniciar a expressão “mulher” envolve o tratamento respeitoso e não agressivo.
O que Jesus estava tentando dizer é que o ministério dele ainda não tinha começado no sentido absoluto da palavra. Ainda faltava algumas coisas. Talvez estivesse ainda se preparando para o deserto, ou para o sermão do monte.
Há aqueles que acreditam que talvez Jesus estivesse se referindo ao sofrimento de sua paixão e não ao ministério propriamente dito.
De qualquer forma o mais importante aqui é ficar registrado que a vontade de Cristo é soberana. Ele opera para nós dentro dela e não dentro de nossa vontade. Ele não faz aquilo que nós queremos, mas o que de fato está dentro da vontade de Deus.
Não podemos determinar o que queremos e como queremos. A vontade de Deus é soberana sempre e não a nossa. Nós não mudamos a vontade de Deus, ela é que transforma a nossa vontade.

3.   Jesus opera do jeito que lhe apraz (v. 7,8)


Operar segundo a vontade de Deus também envolve operar como convêm a Ele e não a nós. Jesus mandou encher os jarros de pedra com água e levá-los ao mestre-sala. O mestre-sala normalmente era uma pessoa encarregada pelas famílias dos noivos para cuidar da distribuição do vinho no decorrer do casamento. Ele tinha a incumbência de fazer a dosagem da diluição em água. O vinho era muito utilizado durante a refeição para substituir a água que não tinha muita qualidade naqueles tempos.
É interessante que não houve alarde na festa. Maria, convencida de que Jesus faria alguma coisa, procura os empregados. Jesus, observando os cântaros, orienta os mesmos a encherem de água. E os empregados, por sua vez, levam ao mestre-sala sem fazer nenhum alarde.
É incrível a forma como Deus agiu. Hoje os pregadores midiáticos procuram os holofotes para mostrarem os milagres de Jesus. Eles não fazem isto para que as pessoas creiam no mestre, mas fazem para que possam encher seus bolsos, para darem credibilidade a si mesmos.
Jesus operou do jeito que era da vontade dEle. Não compete a nós julgarmos o que Jesus fez, como certo bispo fez, conforme nossa introdução.

4.   Jesus muda a situação (v. 9)


Os noivos poderiam ser envergonhados naquele momento. Para a sociedade da época acabar o vinho era um sinal de despreparo para o casamento. Era sinal que eles não estavam preparados para administrar as coisas da vida. Mas Jesus transforma aquela situação e gera uma surpresa tremenda trazendo um vinho de melhor qualidade.
Como base nos aspectos da vinho e da água podemos ver como Jesus muda a situação quando está presente em nossa vida.
Em primeiro lugar, Jesus traz cor. Todos sabem que a água tem algumas características intrínsecas. A primeira delas é que a água não tem cor. A vida daquele que não tem a Jesus é sem cor, sem graça. Jesus traz uma nova perspectiva em nossas vidas.
Em segundo lugar, Jesus traz alegria. Eis algo que complementa a cor que Jesus nos traz. Alegria de Jesus é algo indescritível. É algo que não conseguimos entender. É algo que nos faz sermos felizes mesmo diante das tribulações e das lutas. A água é sem saber, o vinho tem sabor e que traz um efeito sobre que bebe. O vinho deixa aquele que bebe um pouco mais alegre. Jesus deixa aquele que o experimenta com a verdadeira alegria. Não é à toa que Paulo nos manda nos encher do Espírito e não com vinho, aquele traz a verdadeira alegria.
Em terceiro lugar, Jesus produz transformação. A alegria causada pelo vinho altera o comportamento. Sabemos que o álcool não é saudável, e eu não quero aqui fazer apologia a este tipo de droga. Mas o fato é que o vinho transforma uma pessoa. Quando Jesus entra no coração de uma pessoa Ele transforma o seu coração. Jesus dá uma nova perspectiva de vida.
Meu amado ou amada, Jesus precisa entrar em sua vida para que possa trazer cor, alegria e transformação.


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