domingo, 14 de julho de 2013

PURIFICANDO A ADORAÇÃO


João 2:13-22

13 E estava próxima a Páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
14 E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados.
15 E, tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, bem como os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas,
16 e disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes e não façais da casa de meu Pai casa de vendas.
17 E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará.
18 Responderam, pois, os judeus e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isso?
19 Jesus respondeu e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.
20 Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos, foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?
21 Mas ele falava do templo do seu corpo.
22 Quando, pois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isso; e creram na Escritura e na palavra que Jesus tinha dito.

João faz menção das três páscoas que Jesus viveu em seu ministério (2:23; 6:4; 11:55). Todos os outros evangelhos mencionam somente a última.
Era comum no átrio exterior do templo a presença de gentios. Muitos comerciantes se aproveitavam para vender animais para o sacrifício. Também era feito ponto de troca de moedas, uma vez que não podia ser aceita outra moeda que não fosse as locais, pois se considerava as moedas estrangeiras impuras. O negócio era legítimo à luz das leis dos homens, mas Jesus viu ali graves abusos à verdadeira adoração.
No átrio exterior do templo, onde podiam entrar aqueles que não eram judeus, havia comerciantes que vendiam animais para os sacrifícios. Também trocavam moedas estrangeiras (consideradas impuras) por moedas de Tiro, que eram as únicas aceitas como ofertas ou pagamento do imposto do templo (cf. Êx 30.13; 38.26). Esse negócio, legítimo em si mesmo, prestava-se a graves abusos. Muitos animais vendidos não cumpriam os requisitos estabelecidos pela lei para os rituais.
O azorrague é uma espécie de chicote feito com tiras ou cordas trançadas. Os romanos, para causarem mais dor, colocavam ossos e peças pontiagudas. Jesus prepara o seu chicote para mostrar sua indignação com a falta de compromisso com a verdadeira adoração.
O fato fez com que os discípulos se lembrassem de um dos salmos de Davi – Salmo 69:9. Nele o rei de Israel prefigura o sofrimento que seria do Messias, no caso Jesus. O que de fato o Mestre está ensinando é que os judeus que ali estavam, bem como os comerciantes, que em muitos casos eram gentios, não tinham compreendido o que significava realmente adorar a Deus e está em sua presença. Pior do que isto, eles não conseguiam entender o significado daqueles animais e das coisas que estavam inseridas na adoração dentro do templo.
Muitos afirmam que o principal objetivo da igreja é a adoração. Creio que estão certos quando se pensa que adorar implica em manifestar a glória de Deus. O princípio da adoração é a glória de Deus sendo refletida na vida do adorador. É isso que Jesus tenta mostrar.

1.   A adoração não pode ser movida por interesses humanos (v. 14-16)


Os comerciantes, muitos pertencentes as famílias sacerdotais, tinham como objetivo apenas ganhar dinheiro. Eles não se preocupavam com o significado do sacrifício, na realidade eles nem sequer conseguiam entender o que isto significava. Com certeza esta é uma das coisas que causa indignação no coração de Cristo.
Hoje não tem sido muito diferente. Muitos adulteram a mensagem do Senhor e o culto a Deus apenas com o interesse de se beneficiar. Alguns financeiramente, outros politicamente e alguns apenas por ego ou status. A indignação de Jesus deve servir para nossos dias também. Quantos estão conduzindo as massas ditas cristãs apenas para saciarem os seus interesses.
O que Jesus fez aponta para um momento na história futura onde Deus vai trazer tribulação sobre o povo para que este possa ser filtrado. Deus usará o homem da iniquidade como chicote sobre aqueles que insistem em seguir este tipo de líder. Deus purificará o seu povo através da grande tribulação.

2.   A adoração deve fugir de ritos vazios (v. 14-16)


É interessante notar como Jesus está indignado. Além do problema dos interesses ocorre o rito vazio. As pessoas faziam seus ritos pelo rito em si, mas não se preocupavam com o significado. Não se preocupavam com o que realmente valia a pena. Iam apenas para cumprir o ritual como se isso fosse suficiente. Os comerciantes se aproveitavam da falta da verdadeira espiritualidade do povo.
Hoje não tem sido muito diferente. Muitos têm se aproveitado da falta de busca pela Palavra para ludibriar o povo que se diz ser de Deus. São rituais vazios e desprovidos de vida. É por isso que Jesus, ao se encontrar com o mulher samaritana afirma:
“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.” (Jo 4:23)

Adorar em Espírito e em Verdade compreende uma perfeita sintonia com a vontade de Deus. Não é apenas um rito, mas é o curvar diante da santidade de Deus e a busca para que sua glória se manifeste.

3.   A adoração não pode ser baseada em aparências (v. 14-16)


Não se preocupando com o significado do rito, além de ter um rito vazio, aquelas pessoas faziam tudo aquilo apenas para aparecer para a sociedade. Dava proeminência diante da sociedade participar daqueles rituais, ainda que vazios e interesseiros.
Hoje no Brasil perece ser moda ser cristão. Muitos artistas gostam de se autodenominar cristãos, de preferência evangélicos, para que possam ficar bem diante da sociedade. É comum vermos pessoas que se vestem de forma indecente e tem um comportamento, no mínimo duvidoso, se autodenominar cristãs. É o “status” para se ganhar credibilidade.
Profetas como Isaias, Jeremias, Oseias e Amós, proclamaram muito contra a falsa religiosidade, tanto do povo, como também dos líderes que incentivavam. Hoje não tem sido diferente. As diversas denominações alimentam a falsa religiosidade apenas para manter a aparência. Algumas vezes através de rituais vazios, outras por interesses, mas o triste de tudo isso que o povo gosta. Observemos o que afirma o profeta Jeremias:

“Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; e que fareis no fim disso?” (Jr 5:30, 31)


Devemos fugir da religião de aparência. Jesus combateu muito isso, principalmente entre os líderes do povo, mas o povo também precisa também aprender a se comportar como os bereanos (At 17:11).

4.   A adoração não se prende apenas a sinais (v. 18)

“Responderam, pois, os judeus e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isso?”


Os judeus que estavam observando a cena, e com certeza alguns que já o estavam seguindo por causa dos sinais que começara a fazer logo queriam saber o que justificaria aquela ação de Jesus. Porém, ao depararem com a situação, em vez de se preocuparem com o lado espiritual da questão, preocuparam-se com o lado místico. Eles queriam que tivessem sinais que justificassem o que Jesus fez, e não que fosse algo “apenas” espiritual.
Muitos estão na igreja por causa do lado místico, apenas pelos “sinais” que ocorrem. Muitos dizem que seguem o evangelho porque alcançaram esta ou aquela benção. Eles não estão pelo simples prazer de seguir a Cristo. Não estão por crerem em uma promessa eterna, mas pelo simples fato que receberam uma benção. Em nove outras passagens aparecem os judeus, em muitos casos para tentar Jesus, pedindo um sinal.
Será que hoje as igrejas que mais crescem realmente estão adorando a Deus, ou simplesmente crescem porque apresentam sinais? A história dos últimos duzentos anos da Igreja de Cristo retrata que a maioria tem buscado sinais, mas não busca o Deus dos sinais.
A cruz foi e continua sendo o maior sinal de Jesus. É por isso que Paulo pregava a Cristo crucificado e nós continuamos a sua pregação. Este é o maior sinal. Este é o grande sinal. Isto veremos no próximo sermão.

5.   A adoração deve apontar a cruz e o seu resultado (v. 19-21).

"Jesus respondeu e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei. Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos, foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias? Mas ele falava do templo do seu corpo. Quando, pois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isso; e creram na Escritura e na palavra que Jesus tinha dito."


Mais uma vez as Escrituras apontam para a Cruz. Em diversos sermões que pregamos nos evangelhos desde o início dessa jornada vimos a cruz sendo apontada. Zacarias, Isabel, Simeão, a própria Maria e agora o Senhor apontando para Cruz. A verdadeira adoração precisa ter como foco a cruz de Cristo. Precisa ter como centro o Calvário. É de lá que vem a vitória daquele que aceita a Cristo. É de lá que vem a esperança de redenção e salvação daquele que se arrepende de seus pecados e se curva ante ao Salvador.
Jesus além de apontar para cruz, aponta também para o resultado final, a vitória. A ressurreição, embora não seja aonde obtemos a vitória, mas é a prova de que um dia a teremos. A ressurreição de Cristo é a prova de que a vitória está garantida e podemos confiar para sempre nela.
É preciso se curvar ante a cruz de Cristo. É preciso reconhecer que não há outro caminho para nossa vitória que não seja através da cruz de Cristo.

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