segunda-feira, 29 de julho de 2013

UM AMOR PARA A ETERNIDADE

João 3:16


16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Este versículo para muitos é o ponto nevrálgico das Escrituras. Ele mostra que o amor de Deus é algo tremendo e majestoso. Muitos acreditam que o simples entendimento deste verso nos coloca diante do sentido real do sacrifício de Jesus. Mas é muito importante não descontextualizar o versículo da conversa que está em torno dele.
Jesus está quebrando os paradigmas na mente de Nicodemos. É provável que como bom fariseu, em seu coração estava a ideia de que Israel é o povo eleito. Que Deus não olha para o resto da humanidade. Mal sabia ele que Israel deveria ter sido luz para as nações, mas não foi. O povo de Deus não cumpriu a sua principal missão que era glorificar a Deus o fazer conhecido entre os povos. Agora Deus mostra que seu amor abrange toda humanidade. Os eleitos de Deus virão de todos os lugares do mundo por causa do grande amor de Deus.
A expressão “Porque” liga este versículo à sentença anterior. Moisés levantou a serpente no deserto. Deus levantará seu filho no madeiro para mostrar o seu amor. Tiramos assim algumas lições importantes para as nossas vidas.

1.               O amor de Deus é abrangente

“...amou o mundo ...”

No versículo anterior vimos que Jesus citou um fato que ocorreu no livro de Números, em seu capítulo 21. O que se observa naquela passagem é que todo aquele que foi picado e olhou para a serpente, foi curado. Deus olhou para toda multidão e ofereceu um meio de salvação para aquele que olhasse para a serpente.
Hoje, da mesma forma, Deus olha para toda sua criação (é esta a ideia implícita no termo “mundo”, do grego kosmos) e afirma que aquele que crê (liga-se esta expressão a ideia de olhar para a serpente) será salvo.
Nicodemos, com seus paradigmas e suas tradições, não conseguia ver isto. Ele, assim como muitos outros judeus, se prendiam a esse mundo e as afirmações que aprendiam. Como se Deus olhasse somente para o seu povo, os judeus. Mas Deus busca ovelhas de outros apriscos (Jo 17:20).
O sacrifício de Cristo não se limitou apenas ao povo de Israel. O mesmo evangelista João deixou isto claro:

“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas a todos quantos o receberam deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus: aos que creem no seu nome.” (Jo 1:11, 12)

Os judeus não aceitaram o sacrifício de Cristo. Os judeus não entenderam, ou pelo menos não queriam entender o que significava aquele sacrifício. Mas Deus amou o mundo. Deus entregou seu filho por toda humanidade. Uma entrega completa incapaz de ser medida.


2.               O amor de Deus é imensurável

“...amou o mundo de tal maneira...”

A ideia de intensidade está latente no texto.  O amor de Deus é tremendo e enorme. A Bíblia nos mostra este amor de muitas maneiras, mas a principal delas é através da entrega de Cristo.

“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.” (Jo 15:13)

Jesus se entregou para que nós nos tornássemos seus amigos, mas nossa amizade com Ele deve ser mostrada através de compromisso e de entrega (Jo 15:14).
Outra questão interessante é que Jesus se entregou quando ainda não estávamos redimidos. Quando tínhamos o pecado como senhor de nossas vidas. Olha o que Paulo diz:

“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5:8)

Veja bem que o texto mostra que a imensidão do amor de Deus não está na sua abrangência apenas no sentido físico, embora esta fosse enorme como vimos no ponto anterior, mas o amor de Deus é imensurável principalmente porque Ele “amou de tal maneira que deu” seu filho para formar uma povo para Si. A entrega de Deus de tal maneira tem haver exatamente com a nossa situação de pecado na qual nos encontrávamos. É isto que Paulo está falando no capítulo 5 de sua carta aos romanos. No verso 7 ele afirma que pode ser que alguém morra por um justo, “mas Deus prova o seu amor” quando entrega seu filho quando ainda não havia, nem nunca haverá mérito algum no homem. É por isso que este amor é imensurável. Deus poderia muito bem condenar a todos, afinal, todos pecaram, mas, por amor, ele salva alguns através de uma sacrifício sem tamanho, por um preço que somos incapazes de retribuir.


3.               O amor de Deus é expiatório

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito...”

A ideia de expiação está ligada ao perdão dos pecados daqueles que se arrependem e confessam. No Antigo Testamentos os animais eram entregues como expiação pelos pecados.

“Depois, degolará o bode da oferta pela expiação, que será para o povo, e trará o seu sangue para dentro do véu; e fará com o seu sangue como fez com o sangue do novilho, e o espargirá sobre o propiciatório e perante a face do propiciatório.” (Lv 16:15)

Para que houvesse expiação era necessário que uma vítima inocente fosse sacrificada. Os animais tinham que ser puros (sem doença), primogênitos, sem mancha alguma, como símbolo desta inocência exigida por Deus. O que Israel não conseguia ver é que tais sacrifícios estavam apontando para algo muito maior, no caso para o sacrifício de Jesus. Este foi à cruz de maneira inocente e pura, sendo o primogênito de toda criação para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna. Mais do que ser primogênito, Jesus é o unigênito do Pai. Mesmo assim Deus entrega seu filho para que possamos ter nossos pecados perdoados.
Na ideia central da expiação, tinha que haver arrependimento e confissão dos pecados. Era necessário um quebrantamento do povo porque a ira de Deus ainda estava apontada para ele. Hoje não é diferente. A ideia de crer em Deus não pode estar ligada somente em que nossas necessidades são atendidas, mas deve estar no fato que o desejo de Deus é satisfeito. Na expiação é satisfeita a justiça de Deus, mas esta só pode ocorrer quando confessamos nossos pecados e aceitamos o sacrifício de Cristo.

4.               O amor de Deus é propiciatório

“...para que todo aquele que nele crê não pereça...”

A ideia de não perecer está ligada a outro termo bíblico muito negligenciado em nossos dias, propiciação. A propiciação tem haver com o aplacamento da ira de Deus. Não perecer envolve exatamente sair debaixo desta ira. Compreende não está mais debaixo deste terrível castigo preparado para todo e qualquer ser humano.
Ao entregar o seu filho, Deus preparou um meio para que pudéssemos ficar protegidos de sua própria ira. Veja bem o que Paulo diz:

“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo.” (I Ts 5:9)

A ira que Paulo se refere é a ira do próprio Deus, ou seja, aqueles que aceitam o sacrifício de Cristo, confessam o seus pecados arrependidos, e passam a segui-lo, são livres da ira de Deus. É exatamente isto que João Batista vai nos ensinar alguns versículos depois deste que estamos meditando agora. Senão, vejamos:

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” (Jo 3:36)

Repare bem que o precursor de Jesus está ensinando que crê em Jesus é ter a vida eterna, não crer é está debaixo da ira de Deus, logo, é sinônimo de perecimento. Deus entrega seu filho para que não pereçamos debaixo de sua ira, uma vez que esta é baseada na sua perfeita justiça.

5.               O amor de Deus é redentor

“...mas tenha a vida eterna”

A ideia de redenção está ligada a pagamento ou dádiva. Deus ao pagar nossa dívida e nos livrar de sua ira nos garante uma redenção sem igual. Recebemos como prêmio algo maravilhoso e tremendo, a vida eterna.
Este é o maior presente que temos de Deus. Mas este presente não nos custa nada, mas nos custa tudo. Não somos capazes de alcançarmos esta redenção pelos nossos méritos, mas uma vez recebida, devemos viver por ela e principalmente pelo seu autor.
Ter a vida eterna implica em coisas muita acima daquilo que podemos imaginar. Paulo afirma ser algo que está acima de qualquer tribulação nossa (II Co 4:17). É por isso que é triste quando muitos se afastam de Deus quando coisas triste lhe acontecem nesta vida. São pessoas presas a esta vida. São pessoas presas as coisas que mundo oferece ou aos seus desejos.
O cristão genuíno sabe que algo melhor o aguarda, por isso ele sabe muito bem em quem crer (II Tm 1:12). A fé verdadeira não se baseia em atos mensuráveis aos nossos olhos, mas no ato mais imensurável que o mundo já viu – a entrega de Deus do seu filho na cruz do Calvário.
Aceitar a Cristo é mais do que ir às reuniões da igreja, é mais do que participar de cada atividade, embora tudo isso seja necessário (Hb 10:25), mas aceitar a Cristo é ter consciência desse amor que foi capaz de fazer um sacrifício sem igual para que pudéssemos ter uma acesso à eternidade ao lado de Deus. 

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