segunda-feira, 15 de julho de 2013

UMA FÉ FALSIFICADA


João 2:18-25


18 Responderam, pois, os judeus e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isso?
19 Jesus respondeu e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.
20 Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos, foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?
21 Mas ele falava do templo do seu corpo.
22 Quando, pois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isso; e creram na Escritura e na palavra que Jesus tinha dito.
23 E, estando ele em Jerusalém pela Páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome.
24 Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia
25 e não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem.

O início de ministério de Jesus foi muito agitado. Depois de um anonimato de quase 30 anos, o Mestre aparece em cena de forma arrebatadora.
No último sermão vimos que a atitude de Jesus no templo gerou um questionamento. Perguntaram ao Senhor que sinal ele faria para comprovar que o que ele estava tomando era correto (v. 18). Jesus demonstra que o sinal mais importante dEle seria sua morte sucedida pela sua ressurreição.
No texto em questão vemos que Jesus já estava fazendo muitos sinais. O próprio João deixa claro que não registrou todos os sinais de Jesus pois seriam tantos que não haveria livros que os contivesse (Jo 21:25). Em função disto, muitos começaram a crer em Jesus e começaram a se autoproclamarem seus discípulos. Neste momento, João nos traz algumas lições que devemos aprender para nossos dias. O texto também é uma preparação para um dos muitos diálogos que Jesus manteve em seu ministério e que são descritos pelos evangelistas. Talvez a conversa de Jesus com Nicodemos seja a mais famosa, mas isto é assunto para o próximo sermão. Vejamos o que aprendemos neste pequeno trecho da Palavra de Deus.

1.   Uma fé falsa se baseia na lógica humana (v. 18, 23)

“18 Responderam, pois, os judeus e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isso?”

“23 E, estando ele em Jerusalém pela Páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome.”


Muitos afirmam que não creem em Deus por causa da miséria do mundo e dos problemas que assolam a humanidade. Estão olhando para a religião com lógica humana.
Também é interessante notar que a expressão usada para crer no texto é a mesma quando usada para a fé verdadeira. Isto mostra o quanto para nós é impossível determinar o quanto a fé de alguém é real. Mas o Senhor conhece a cada um de nós.
Os judeus queriam que Jesus provasse a sua autoridade para fazer o que estava fazendo. Eles estavam tentando racionalizar a fé, algo que é muito difícil por si só. Claro que precisamos prestar um culto racional e nos aproximarmos de Deus também com entendimento, mas a fé em Cristo não é possível ser comprovada por atos empíricos, ou seja, de experiência e lógica humanas.
Quando a fé em Deus tem como base o fato de receber este ou aquele milagre, de poder tocar ou fazer alguma coisa, esta é uma fé falsa. O que Jesus está tentando ensinar é que eles tinham que abandonar o culto artificial para se aproximarem de Deus de uma forma verdadeira e pura.
Muitos hoje são cristãos somente por causa de suas experiências. Claro que ter experiências com Deus é bom, mas se nossa fé for pautada somente nisso podemos correr um sério risco de não termos a fé verdadeira.
Os amigos de Daniel entendiam muito bem isto. Eles estavam de frente com o rei Nabucodonozor e expressaram uma da frases mais contundentes da Bíblia e que reflete bem o que é uma fé não pautada em sinais:
“Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.” (Dn 3:17, 18 - ARA)

Sabemos que eles foram libertos, mas eles não baseavam sua fé neste fato. A expressão grifada acima mostra que a fé deles não se baseava em lógica humana. Afinal, logicamente seria condenados e queimados, mas mesmo que fossem, e isso sim é o ponto crucial, continuariam crendo.

Outro grande exemplo de fé é a de Abraão. Vejamos o que o autor aos hebreus nos fala sobre isso:

“Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência; porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou.” (Hb 11:17-19 - ARA)

Observe bem que a fé destes homens não se baseava em lógica, mas em esperança de algo melhor reservado por Deus para eles. Não dependiam de coisas exteriores.

2.   Uma fé falsa se baseia no exterior (v. 23)

“E, estando ele em Jerusalém pela Páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome.”


É importante notar que o texto diz que “muitos” creram nele por causa dos sinais. Em todos os evangelhos vemos uma multidão que seguiu Jesus. Mas a maioria esmagadora o seguia por causa dos sinais que mostrava. A grande massa não cria em Jesus pelo que Ele estava propondo. Eles criam nele pelo que ele estava oferecendo externamente.
Jesus sabia que a fé deles não era verdadeira, isso ele deixa claro no texto. O que aprendemos aqui é que a fé verdadeira não se baseiam em sinais exteriores. Ela está fundamentada naquilo que realmente esperamos de Deus, no caso, a vida eterna.
Retornando ao texto de Hebreus 11, o chamado capítulo da fé, vemos que um dos momentos mais lindo deste capítulo precioso, não se encontra nos milagres que ocorreram por causa da fé, mas do aparente fracasso. Senão vejamos:
“E que mais direi? Certamente, me faltará o tempo necessário para referir o que há a respeito de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas, os quais, por meio da fé, subjugaram reinos, praticaram a justiça, obtiveram promessas, fecharam a boca de leões, extinguiram a violência do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram força, fizeram-se poderosos em guerra, puseram em fuga exércitos de estrangeiros. Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição; outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões. Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.” (Hb 11:32-38)

Repare que a ênfase do texto está naqueles que o “mundo não era digno deles”. O autor retrata os feitos fantásticos de Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, entre outros que começam no início do capítulo, mas a frase de maior efeito está naqueles que foram escarnecidos, açoitados, algemados, presos, apedrejados, provados, serrados ao meio, mortos a fio de espada, peregrinos, necessitados, afligidos, entre outras coisas. Estes através de uma fé baseada na esperança e não no exterior, fizeram com que o mundo não fosse digno deles. Mais do que isto, eles sabiam o que realmente era importante para Deus.

3.   Uma fé falsa não vê aquilo que realmente é importante para Deus (v. 21, 22)

No meio da discussão, depois que os judeus questionaram a falta de sinais externos que comprovassem o porquê daquele ato, o Mestre descreve aquilo que seria mais importante em seu ministério terrestre, a cruz e a vitória sobre ela.
O grande problema do cristianismo atual é que se baseia em sinais, mas se esquece do maior dos sinais, a morte de Cristo e o que ela nos oferece. 
Como é triste observar que a cruz não tem sido mais o centro da pregação. Como triste observar que o centro da pregação tem sido mensagens de autoajuda, de feitos miraculosos, de esperança de conquista de bens, entre tantas outras coisas, mas pouco tem se focado na cruz do calvário.
A falsa fé faz com que se veja aquilo que realmente importa. Ela não deixa se ver que Jesus veio, antes de mais nada, para nos dar a vida eterna. Ela não consegue ver que o novo nascimento deve nos fazer ter esperança em algo muito maior do que qualquer outra coisa que possa ocorrer nesta vida.
O sinal mais importante que temos de Cristo é a cruz. Paulo, escrevendo aos coríntios afirma:
“Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado.” (I Co 2:1,2- ARA)

A pregação de Paulo era centrada na cruz. A nossa pregação deve ser centrada na cruz. Tudo que Jesus estava fazendo era preparar seu caminho para cruz. Tudo que precisamos fazer é mostrar ao pecador o caminho da cruz.
É por isso que o mesmo Paulo pôde dizer:
“Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios” (I Co 1:20-23)

Jesus não deve ser buscado pelos sinais externos que mostrou, mas pelo maior de todos os sinais, sua morte substitutiva, expiatória e propiciatória, isso é o que realmente importa para Deus.

4.   Uma fé falsa limita o conhecimento sobre Deus (v. 24, 25)


Podemos até enganar homens, mas não conseguimos, em hipótese alguma, enganar a Deus. A expressão que João usa para descrever o que se passava na mente de Jesus é a mesma para falar da crença dos judeus. Jesus na realidade não cria na crença daqueles homens. Mas Jesus não cria, exatamente por saber que era falsa. Exatamente por saber o que se passava em seus corações.
João mostra que Jesus sempre soube que havia descrentes no meio daqueles que o seguiam. Inclusive, em um determinado momento, Jesus falou sobre a vida eterna e nEle como sendo o pão do céu, e muitos na ocasião o abandonaram (Jo 6:60, 61). Ao concentrar sua mensagem exclusivamente na vida eterna Jesus viu que “muitos” o abandonaram.
Nossa fé não pode ser baseada em comprovações científicas ou coisas desse tipo. Ela não deve ser moldada por milagres exteriores ou sinais sobrenaturais. Não, nossa fé precisa ser moldada tão somente na esperança de vida eterna que deve existir dentro de nós. Foi exatamente isso que Pedro respondeu quando Jesus interpelou os que ficaram no discurso do capítulo 6. Vejamos o texto:
“Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele. Então, disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos? Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus.” (Jo 6:66-69)

Busque ao Senhor com sinceridade. Ore a Ele para que você possa ter um coração sincero baseado somente na esperança eterna e não em coisas que passam e vão. Aceite agora a obra definitiva de Cristo e o receba como Senhor e Salvador de sua vida.


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