segunda-feira, 12 de agosto de 2013

ENVIADO PARA A SALVAÇÃO


João 3:17-21



17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
20 Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.

Jesus continua argumentando com Nicodemos e mostra que Deus estava formando um povo de toda humanidade, não apenas dos judeus. Desde o princípio tinha que ser assim, mas o pecado de Israel não permitiu que isso acontecesse.
Mais uma vez temos que separar a ideia mundo de pessoas. Jesus está aqui apontando para a criação (kosmos). Ele não pode se referir a pessoas especificamente pois estaria entrando em contradição com João 9:39, quando afirma que veio trazer juízo ao mundo. A ideia de salvar o mundo refere-se em salvar aquilo que Ele criou. O que Deus criou, e nisso o homem é a coroa, será salvo pela redenção daqueles que crerem e aceitarem o sacrifício de Cristo. Isto fica claro pelo verso 18. O objetivo de Cristo com certeza será cumprido, ou seja, o que Deus criou e determinou será salvo. A linhagem humana seria salva pelo seu descendente (Gn 3:15).
João não mostra a conclusão desta conversa de Jesus, mas pelo comportamento posterior de Nicodemos podemos ter certeza que influenciou muito o mestre judeu (Jo 7:51; 19:39).
A expressão “porque” mais uma vez faz uma ligação entre a sentença do versículo 17 com a do 16 que por sua vez liga aos anteriores que relatam a ideia da serpente levantada no deserto. Para uma perfeita interpretação do texto precisamos manter este contexto em nossa mente, caso contrário iremos distorcer todo significado.
Deus envia o seu filho para ser o Cordeiro a tirar o pecado do mundo; para ser o sacerdote que entrega o sacrifício; para ser o profeta que manifestará a vontade de Deus; e, por fim, para ser o Rei que reinaria sobre aqueles que se submeterem ao seu senhorio.


1.               A salvação é um resultado da fé (v. 18)

Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.”

Esse tem sido um dos pontos que mais têm separado cristãos desde o início. Paulo escreve aos Gálatas, por exemplo, com o objetivo de sanar um problema que estava ocorrendo nas igrejas daquela região. Os gálatas, através de influência externa judaica, estavam crendo que precisavam praticar certos rituais para que pudessem se salvar. Paulo corrige veementemente este erro (Gl 2:16).
Em muitas de suas cartas Paulo deixa clara a ideia de salvação pela fé (Ef 2:8,9; Rm 4:16; 5:1; Gl 3:8). E é exatamente isto que Jesus está ensinando a Nicodemos. Este, como mestre da lei, achava que sua vida correta, o cumprimento dos rituais e da lei, faziam dele um merecedor de estar na presença de Deus. Jesus mostra exatamente o contrário. Cristo está mostrando que precisa ocorrer uma transformação, ou seja, nascer de novo (v. 4).
Uma das coisas que levou à reforma protestante foi a venda de indulgência. Indulgência significa ter capacidade de perdoar. No caso, era dito que os pecados seriam perdoados através do pagamento em dinheiro do perdão requerido, podendo ser inclusive de outras pessoas. Esta briga teve início por causa da insatisfação de Lutero com o comportamento de um certo monge por nome Tetzel, que era o responsável pela cobrança. Mas quando Lutero se levantou contra isso, o próprio Papa se mostrou contrário à posição do futuro reformador.
Toda ideia de religião que o homem tem gira em torno do mérito humano. Quer seja por pagar penitências; ou por praticar boas obras; ou ainda por se purificar através de reencarnações ou vida monástica. O cristianismo puro e simples afirma que nossa salvação não vem do mérito que temos, mas pela graça de Deus, mediante a fé em Cristo. É exatamente isto que Jesus está mostrando. Mas isto só é possível quando aprendemos que devemos amar a Deus.


2.               A salvação é um resultado de amor (v. 19)

E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.”

Este ponto é interessante. Talvez você esteja pensando que isto é óbvio, mas a realidade é bem outra. O amor aqui não é um sentimento, mas um atributo. Algo que precisa fazer parte de nossa vida.
O amor salvador é aquele que é direcionado para o Messias levantado no Calvário. Vale lembrar que o dentro do contexto deste texto está explícita a ideia do sacrifício de Jesus e de sua obra consumada na cruz. Amar a Luz implica em amar esta obra, mas principalmente o seu autor.
Amar a Jesus é crer nele para sair das trevas (Jo 12:46). Jesus sendo a luz do mundo é o nosso guia e orientador nesta vida. Em diversas passagens Jesus se identificou com a luz. É a ideia de mostrar o caminho correto. De direcionar para o lado que se deve ir.
Em Malaquias o Messias é apresentado como o sol da justiça. A ideia é a mesma. Consiste em dar direcionamento para aquele que está perdido.
Mas para que tudo isso possa de fato ocorrer é necessário que haja amor. É necessário buscar em primeiro lugar o reino de Deus (Mt 6:33). É necessário que nossa vida seja inteiramente moldada pela morte de Cristo (Gl 2:20).
Amar a Cristo envolve aprender a carregar a cruz (Mt 16:24; Lc 9:23). É ter a certeza de que nesta vida teremos aflições em nome dEle, mas ainda assim saber que vale a pena (Mt 5:10-12). Acima de tudo, é saber que vale a pena pois um tesouro muito maior está reservado para aqueles que o amam (II Tm 1:12).
É tremendo saber que a salvação é um resultado do nosso amor, mas este por sua vez nem existia, e Deus nos amou primeiro (I Jo 4:19).
Será que estamos prontos para o amarmos da forma que Ele expõe a Nicodemos. Claro que isto não é fácil. Pedro experimentou isto muito bem. No encontro que Jesus tem com ele após a ressurreição, mesmo o apóstolo agora crendo, ainda não havia aprendido a amar da forma que Jesus afirma para o mestre fariseu. Jesus pergunta duas vezes usando uma expressão que traduz a ideia de uma amor incondicional, mas Pedro responde apenas como uma amor fraternal. Jesus aceita este amor, mas fala que Pedro iria aprender o que significava o outro.
É este amor que Jesus está falando para Nicodemos. É um amor que nos leva à obediência (Jo 8:12).

3.               A salvação é um resultado de obediência (v. 20,21)

Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.”

Jesus afirma: “Se me amardes guardares meus mandamentos” (Jo 14:15). No mesmo contexto Ele afirma:
“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, este é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele.” (Jo 14:21).

No capítulo posterior do versículo supracitado Jesus irá nos ensinar: “Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (Jo 15:14). Observe bem que a demonstração do amor que damos a Deus é sempre sucedida por uma vida de obediência. É por isso que ninguém que afirma aceitar a Cristo como Salvador pode dizer que é salvo sem aceita-lo como Senhor.
Praticar a verdade é fazer o que Jesus quer. Não consiste somente em fazer boas obras, ter um bom comportamento, ou coisas deste tipo. Obedecer a Deus é viver dentro do padrão por Ele estabelecido em sua Palavra. Não é apenas frequentar a Igreja, mas, além de frequentar para comunhão com os santos, viver de forma a glorificar a Deus em todas as áreas da vida (I Co 10:31).
Muito se fala nos púlpitos da salvação pela fé crendo que Jesus irá resolver todos os problemas, mas pouco se tem falado sobre o fato de que a fé e o amor devem ser demonstrados pela obediência. Não temos nada que fazer para sermos salvos, mas, uma vez salvos, temos um compromisso com Aquele que nos salvou.
O que Jesus está mostrando a Nicodemos é o evangelho puro, que será a exposição do próximo sermão. É o evangelho do jeito que tem que ser pregado. Quando se prega um evangelho de curas, libertações e prosperidade, não se mostra o verdadeiro evangelho. Este só pode ocorrer quando a realidade espiritual do homem é demonstrada (“... é necessário nascer de novo..”); quando se expõe a oferta de Deus (“... deu seu filho unigênito...”); explicita o que tem que ser feito (“... todo aquele que nele crê...”); esclarece o que envolve esse crer (“...quem pratica a verdade vem para luz...”); e por fim, mostra o resultado de tudo (“... tenha a  vida eterna.”).
Se você entendeu isto em sua vida, aceite a Jesus como Senhor para que Deus possa lhe dar uma vida e esperança eternas.

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