terça-feira, 20 de agosto de 2013

O PURO EVANGELHO

 João 3:1-21

1 E havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
2 Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.
3 Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.
4 Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?
5 Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.
6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.
7 Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.
8 O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.
9 Nicodemos respondeu e disse-lhe: Como pode ser isso?
10 Jesus respondeu e disse-lhe: Tu és mestre de Israel e não sabes isso?
11 Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que vimos, e não aceitais o nosso testemunho.
12 Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?
13 Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu.
14 E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado,
15 para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.
18 Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
19 E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.
20 Porque todo aquele que faz o mal aborrece a luz e não vem para a luz para que as suas obras não sejam reprovadas.
21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.

Este texto é realmente um dos mais ricos da Bíblia. É um dos muitos exemplos que encontramos no Novo Testamento do verdadeiro evangelho. Vivemos dias onde o evangelho tem sido falsificado. Onde cada vez mais aumenta o número de falsos profetas e mestres segundo o coração do homem. Paulo, escrevendo aos filipenses, afirma que não importa se o evangelho é pregado por inveja ou contenda, mas que ele seja pregado. Isto é a mais pura verdade (Fp 1:18). O problema é que os falsos mestres e doutores pregam outro evangelho. Neste ponto, o mesmo Paulo, escrevendo aos gálatas, afirma que mesmo que um anjo pregue, que seja anátema (Gl 1:8).
No texto em questão Jesus nos dá um exemplo muito simples do que realmente é expor o verdadeiro evangelho. É isto que passaremos a analisar agora. Não o faremos necessariamente pela ordem dos versículos, para tentar lhe dar maior clareza.


1.               Demonstra a realidade do homem (v. 3, 5)

“... é necessário nascer de novo...”
“...aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.”

Quando Jesus fala para Nicodemos sobre o nascer de novo está fazendo uma alusão a pregação do arrependimento feita por João Batista. Este fato é comprovado quando ele afirma que é necessário nascer da água e do Espírito. O nascer da água compreende o grande simbolismo do batismo na vida daquele que realmente aceitou a Cristo como Senhor e Salvador de sua vida.
O problema é que poucos hoje realmente se preocupam em destacar a realidade do homem diante de Deus. Há um temor daquilo que é “politicamente correto”. E com esta ideia fixa na mente evitamos pregar o evangelho da forma que ele realmente deve ser pregado.
Jesus está falando para Nicodemos que ele precisava entender que a lei interpretada da forma que os fariseus faziam não o levaria para a eternidade. A salvação não é algo amarrada aos nossos méritos, mas somente à pessoa de Deus que nos transforma através do habitar do Espírito dentro de nós.
A realidade do homem é mostrada em vários pontos da Bíblia, embora alguns insistam em fugir dela. Em Gênesis vemos que a humanidade foi toda contaminada pelo pecado de Adão. Ainda no primeiro livro podemos ver o quanto Deus se entristecera com o pecado do homem a ponto de destruir a humanidade com um dilúvio. Nos livros históricos podemos ver a realidade do pecado homem nos gestos que o povo de Deus e os povos da época.
Jesus procura mostrar a Nicodemos que se ele não se arrepender não seria possível obter a vida eterna. O primeiro grande passo para a salvação é o arrependimento, e isto só ocorre quando reconhecemos nossa situação diante de Deus.

2.               Expõe a oferta de Deus (v. 15, 16)

“... deu seu filho unigênito...”

A segunda coisa que o verdadeiro evangelho precisa expor Jesus falou no meio de sua conversa com Nicodemos: Deus deu o seu filho.
O homem ao pecar se torna escravo do pecado. Paulo deixa isso muito claro em Romanos 6. Ao se tornar escravo de sua iniquidade o ser humano fica incapaz de oferecer qualquer coisa para salvar a sua alma. A ira de Deus é derramada sobre a humanidade e somente com uma entrega de um ser puro esta seria aplacada. A Bíblia chama este ato de propiciação.
Deus então, através de seu imenso amor e com o objetivo de resgatar a sua criação, em especial o homem, oferece o sacrifício de seu filho, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. É a oferta perfeita.
A perfeição desta oferta compreende alguns aspectos que com o passar do tempo foram se perdendo.

a)    Ela é perfeita porque não necessita de complemento

Você não precisa mais pagar penitências, ou fazer qualquer outro sacrifício para obter o perdão de Deus. Basta o arrependimento sincero e uma vida debaixo dos pés do Senhor.

b)    Ela é perfeita porque cumpre tudo que Deus estabelece

Jesus foi o sacerdote e o cordeiro. A perfeição se uniu na pessoa de Cristo para que nós pudéssemos ter a paz completa com Deus.

c)     Ela é completa por ser suficiente em si mesma

O homem, mesmo depois de transformado e nascido de novo, não é capaz por si de viver da forma que Deus deseja. A santificação nunca será completa nesta vida. Mas o sacrifício de Cristo é suficiente em si mesmo.

Mas, apesar de Deus fazer tudo para nossa salvação, algo completa tudo isso...

3.               Explica o que tem que ser feito (v. 15, 16, 21)

“... todo aquele que nele crê...”

Além de arrepender-se, compete ao homem aceitar através da fé a obra salvadora de Cristo. Jesus se fez carne para que crêssemos em sua obra e assim conseguíssemos a salvação.
Crer em Jesus não compreende uma fé intelectualizada baseada na historicidade de Cristo, ou na comprovação científica de sua existência. Crer em Jesus não compreende apenas saber que realmente ele fez o que diz a Bíblia. Não, crer em Jesus envolve a confiança em sua obra. Envolve saber que tudo que Ele fez foi mais que suficiente para nossa salvação.
A fé salvadora é aquela que é acompanhada da plena confiança de que a aquele começou a boa obra vai terminá-la (Fp 1:6). Jesus liga a fé ao resultado, que veremos mais adiante. A fé salvadora traz uma confiança sobrenatural ao coração do cristão verdadeiro. Esta confiança é baseada no entendimento que os pecados foram perdoados e que, de agora em diante, não temos mais nenhuma dívida para com Deus.
A fé salvadora consegue ver que o salário do pecado já foi pago, ainda que não pelo pecador, mas foi pago completamente. Esta é a fé que quero desafiar você a ter a partir de agora depois que você deu os passos anteriormente propostos. Mas tudo isto só fica claro quando se compreende como funciona esse crer...

4.               Esclarece o que compreende esse crer (v. 21)

“...quem pratica a verdade vem para luz...”

Explicando melhor ainda a questão da fé, Jesus mostra para Nicodemos que esta implica em uma vida de confiança que leva aquele que crer a praticar aquilo que Deus realmente deseja. Esta é a questão do senhorio.
Por diversas vezes tenho frisado que não existe salvação sem a completa compreensão deste outro lado. Jesus como Salvador e Senhor são os dois lados da mesma moeda. Uma não existe sem a outra. Logo, se você afirma que aceita a Cristo, mas não reconhece o senhorio dele, sua salvação não existe, ou ainda, sua fé não está completa.
Praticar a verdade não é ser aquilo que um grupo estereotipa ou racionaliza. A prática da verdade envolve exatamente a obediência àquele que salvou. Sendo assim, não é possível desassociar a fé em Jesus como Salvador, daquela que o associa como Senhor.
Jesus quis deixar estas coisas claras para Nicodemos, embora ele já devesse saber disso. Há muitas pessoas que estão como Nicodemos. Fazem parte de um grupo que se diz religioso e cumpridor dos mandamentos de Deus, mas de fato não compreendem o que significa viver para Jesus.
Quantos hoje estão nas igrejas, mas seu coração e seu corpo estão voltados para outro lugar. Não há uma compreensão real do que significa seguir a Jesus. Mas isso ocorre por não compreenderem ou aceitarem o resultado ou a proposta feita por Deus em Cristo.  

5.               Mostra o resultado de tudo isso (16, 17)

“... tenha a vida eterna.”

Nicodemos, assim como muitos hoje, tinha na religião a busca por coisas melhores, por curas de doença, por um viver em paz. O que Jesus vai mostrar claramente que a fé nele não deve ser para algo desta vida, mas em algo muito maior. Repare que ele começa sua conversa fazendo alusão aos milagres de Jesus (v. 2). Muitos estão nas igrejas apenas por causa dos sinais, mas não consegue compreender toda dimensão da fé em Jesus e de sua obra.  
Paulo escrevendo aos coríntios afirma que: “se esperamos em Cristo somente para esta vida somos os mais miseráveis de todos” (I Co 15:19).  Isto implica que nascer de novo, tornando-se uma nova criatura, não é esperar que tudo vai bem nesta vida; não é crer que as coisas se tornarão um mar de rosas; muito pelo contrário, dependendo do contexto que se está inserido, a conversão implica em uma vida de mais tribulação e dor nesta vida.
Imagine as pessoas que se convertem em países aonde ainda há perseguição religiosa. O que dizer de pessoas que são mortas todos os dias por causa de sua fé. A grande maioria destas pessoas passa por tudo isto sem reclamar porque espera coisas muito melhores na vida futura. Esta é a ideia de vida eterna. É exatamente isto que Jesus está oferecendo a Nicodemos, e é isto que ofereço agora a você.

Jesus deixa claro para Nicodemos que o objetivo de Deus ao enviar seu filho é para dar a vida eterna. Não deve haver outra motivação para se estar na igreja. Nem nenhuma outra motivação que supere esta para sair da igreja. A vida eterna deve ser nosso foco e alvo até o dia da volta do Senhor Jesus. 

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