domingo, 8 de setembro de 2013

CRISTO, O ALVO DO EVANGELHO

João 3:22-30

22 Depois disso, foi Jesus com os seus discípulos para a terra da Judeia; e estava ali com eles e batizava.
23 Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali e eram batizados.
24 Porque ainda João não tinha sido lançado na prisão.
25 Houve, então, uma questão entre os discípulos de João e um judeu, acerca da purificação.
26 E foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele.
27 João respondeu e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu.
28 Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele.
29 Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já essa minha alegria está cumprida.
30 É necessário que ele cresça e que eu diminua.

Este texto começa com um mistério. Jesus estava em Jerusalém, onde teve a conversa com Nicodemos. A cidade ficava já na Judeia. Logo, o que João quis dizer com ir para a terra da Judéia? De fato é algo difícil de determinar com precisão. Mas creio que quer dizer uma região do interior da Judeia, como Eugene Peterson mostra em sua paráfrase da Bíblia, chamada “A Mensagem”. De qualquer forma o texto deixa claro que este fato ocorreu enquanto João ainda estava livre. Isso significa que Jesus e João tiveram durante algum tempo um ministério paralelo.
A discussão entre judeus e os discípulos de Jesus mostra duas questões. A primeira o que significava realmente o batismo. Os judeus em questão mostram que não aceitavam que um simples ritual pudesse realmente purificar uma pessoa. Eles não tinham conseguido captar, assim como muitos hoje também não conseguem, que o batismo é apenas um símbolo de algo muito maior, a saber, o verdadeiro arrependimento (Rm 6:1-6). A purificação não ocorre em um ato, ou em ritual, estereotipado. A purificação ocorre quando o sentimento de arrependimento é verdadeiro e aí é seguido de uma demonstração externa. Ou seja, quando alguém chega ao batismo é porque algo já aconteceu, e não que vai acontecer.
A segunda questão envolvida é que eles estavam tentando jogar João contra Jesus. Eles tentavam desequilibrar o ministério de ambos através da contenda. Isto se tornou algo tão perigoso que fez com que Jesus deixasse a região e voltasse para a Galileia (Jo 4:1-3), retornando somente depois da morte de João.
É interessante que notamos naqueles que estavam à volta de João os mesmos erros que hoje vemos em muitos que são membros de igreja e frequentam os trabalhos. Eles não conseguem ver o que realmente está sendo ensinado. Note que havia uma preocupação por parte de alguns que Jesus estaria usurpando o ministério de João. João então mostra que ele muitas vezes disse que o alvo do seu ministério era Jesus. Que Este seria maior do que ele (v. 28).
Para exemplificar para eles o que queria dizer, João usa a analogia do casamento judaico, onde era comum o amigo do noivo tomar conta de todos preparativos da noiva. Era o amigo mais chegado que acompanhava o casal na primeira noite de núpcia ficando do lado de fora da tenda para dar a notícia que o casamento havia sido concretizado. Era o amigo que recebia toda informação da família da noiva e repassava para seu amigo. João quis dizer que ele mesmo não era o noivo da Igreja, mas Jesus o era, mas João preparava o caminho para que Jesus pudesse se encontrar com sua noiva.
Diante do exposto tiramos deste texto algumas lições para que Cristo seja o alvo de nossa pregação e de nossa vida.

1.               Devemos evitar contendas por coisas pequenas

Os discípulos foram ter com João para falar sobre Jesus, mas João prontamente retrucou. Claro que principalmente porque o alvo de sua mensagem era o próprio Jesus. Mas precisamos parar de ter contendas diante do evangelho por coisas pequenas demais. Há muitos que não gostam de ter comunhão com pessoas de outros grupos cristãos por causa de diferenças que são pequenas demais para a grandeza do evangelho.
Não podemos permitir que doutrinas menores do que a cruz separem o povo de Deus. Jesus deu essa mesma lição mais tarde a seus discípulos (Lc 9:49,50). O mais importante deve ser a essência do evangelho. Não são nossas diferenças culturais ou de costumes que devem impedir que o evangelho seja transmitido.
Sei que talvez alguns irão pensar: Mas e quanto ao combate que Paulo faz contra a falsa doutrina em muitas de suas cartas. E quanto ao próprio Jesus que disse que quem não é por Ele é contra ele (Mt 12:30). Tanto Jesus e Paulo devem ser visto pelo contexto do verdadeiro evangelho. O cristianismo não é uma religião de questões absolutas como muitos tentam traçar, mas existe uma essência que não pode faltar, a saber, o verdadeiro evangelho. Quando Paulo combate a falsa pregação a preocupação dele é com a mensagem distorcida que chega aos ouvidos e mentes das pessoas. Mas o próprio Paulo se alegrou quando soube que o evangelho estava sendo pregado por pessoas que tinham inveja dele (Fp 1:15,16).
Logo, não podemos permitir que pequenas questões nos separem da comunhão com santos de todo mundo. Não podemos ser os donos da verdade, por mais que tenhamos nossas convicções pessoais. Julgar um grupo por causa da roupa ou linguajar é dificultar que o evangelho verdadeiro seja compreendido. Claro que isto não nos impede de pregar a alertar quanto aos erros cometidos e aos desvios da verdadeira mensagem.

2.                 Devemos ter em mente que Deus tem o controle de tudo (v. 27)

“João respondeu e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se lhe não for dada do céu.”

João deixa claro que tudo que estava ocorrendo tinha a permissão de Deus e que nada que ocorria fugia do controle de Deus. Há pessoas que se desesperam quando veem tantas igrejas e grupos que surgem por aí. Sabemos que há muitos que fazem parte do mercado da fé. São pessoas que pregam um outro evangelho que veio para enganar os ignorantes e símplices, mas mesmo essas coisas estão no controle de Deus.
Nosso coração precisa se confortar debaixo da soberana vontade de Deus de que nada ocorre por acaso. Que tudo tem um objetivo e um por quê. O controle de Deus está presente em tudo, mesmo quando parece estar perdido.
João sabia que Jesus estava onde deveria estar. Que pregava o que deveria pregar. Deus estava à frente de sua obra e nada ocorria sem sua soberana vontade. Isto não quer dizer que tudo esteja ocorrendo do jeito que Deus quer, mas do jeito que ele determinou em sua santa vontade.
Até nossa salvação vem do céu. Ela é uma dádiva de Deus ofertada através da graça e materializada pela fé na obra da cruz. Jesus veio ao mundo para ofertar essa salvação. Muitos ainda não conseguem entender que ela é de graça, mas ao mesmo tempo precisa ser pago um preço que para o orgulho do ser humano é alto demais, sua renuncia às coisas desta vida.
Os judeus questionavam João, da mesma forma que mais tarde iriam questionar a Cristo porque olhavam para a salvação como sendo algo adquirido por méritos humanos. Jesus e João mostravam a salvação como algo que vem do coração de Deus para pessoas que a desejam, não por acharem que têm méritos, mas exatamente por reconhecerem que não os têm.

3.               Nosso alvo deve ser a glória de Cristo (v. 30)

“É necessário que ele cresça e que eu diminua”

João encerra o verso 29 dizendo: “Assim, pois, já essa minha alegria está cumprida”. Veja bem que João se refere ao ministério de Cristo e de sua obra. Ele completa com uma das frases mais profundas de toda Bíblia: “É necessário que ele cresça e que eu diminua”.
Vivemos dias aonde se prega muito sobre o homem e não para o homem. Se prega muito sobre as necessidades do homem, mas pouco se fala daquilo que o ser humano precisa realmente fazer. Deus nos criou para louvor de sua glória, mas infelizmente muitos acham que foram criados para louvor de sua própria glória.
No passado muitos achavam que a Terra era o centro do universo ou do sistema solar. Hoje há muitos que acham que são centro de todas as coisas. Sempre achamos que somos coitados e miseráveis. Sempre achamos que somos merecedores de algo. O que João nos mostra neste trecho para Palavra de Deus que tudo deve ser para a glória de Deus; que nosso alvo deve ser o engrandecimento de Cristo e não o nosso.
Quando se achava que a Terra era o centro de tudo chamava-se esta teoria de geocêntrica. Hoje vivemos dias da teoria egocêntrica (é só mudar a posição de duas letras). Na premissa egocêntrica eu sou o centro de tudo. Tudo deve girar em torno de mim. João mostra que Jesus é maior do que isto.
Hoje a ciência sabe que o sol é o centro do nosso sistema, apesar de não ser o centro do universo. Mas o sol é responsável por manter a vida em nosso planeta. Sua posição exata e sua atração gravitacional nos mantem. Em termos espirituais Jesus é apresentado como o sol da justiça (Ml 4:2). Ele é o responsável por todas as coisas. Paulo diz:
“porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.”

Jesus é centro de tudo, não eu ou você. Jesus é o sol da justiça que brilhará para sempre, e por isso é necessário que Ele cresça e que eu diminua. Quero convidar você a se esvaziar do seu eu e permitir que Jesus seja o sol em sua vida. Deixar de buscar egocentrismo, para viver o “cristocentrismo”. Jesus deve ser o centro de sua vida. Assim como o sol, Jesus nos dá a vida. Assim com nosso astro-rei, Jesus nos dá direção. Assim como o sol, Jesus nos aquece e nos oferece livramento contra o frio da eternidade sem Deus.

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