domingo, 15 de setembro de 2013

O EVANGELHO QUE VEIO DO CÉU

João 3:31-36

31 Aquele que vem de cima é sobre todos, aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.
32 E aquilo que ele viu e ouviu, isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho.
33 Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro.
34 Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois não lhe dá Deus o Espírito por medida.
35 O Pai ama o Filho e todas as coisas entregou nas suas mãos.
36 Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

João mostra mais uma vez toda sua humildade. Esta foi a grande característica dos grandes homens de Deus da Bíblia. Foram homens que reconheceram sua situação de pecadores, reconheceram a grandeza de Deus e de sua obra. Abraão, Moisés, Davi, entre tantos outros, se caracterizam pela sua humildade. Mas de todos, João Batista se destaca. Ele faz sempre questão de apontar para Jesus. No último sermão lemos o texto que terminava com uma grande expressão de João: “É necessário que ele cresça, e que eu diminua”.  João está se referindo a seu primo em carne, Jesus. Ele se refere ao Cristo que desceu do céu para dar a vida. João destaca algumas coisas sobre a obra de Cristo ao descer do céu.
O texto de João 3 se destaca em mostrar como devemos pregar o verdadeiro evangelho. Jesus deixou claro para Nicodemos tudo isto, e agora João Batista deixa também muito claro. Vimos no último sermão que Jesus é o alvo do evangelho, ele desceu do céu, logo o evangelho verdadeiro é aquele que vem com Jesus. Por isso que quero destacar o evangelho que desceu do céu.

1.               O evangelho que vem do céu mostra o senhorio de Cristo (v. 31)

“Aquele que vem de cima é sobre todos, aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.”

João termina o último parágrafo com uma das frases mais célebres da Bíblia: “É necessário que Ele cresça e que eu diminua”. Esta expressão carrega o peso do olhar humilde e submisso que João fazia de Cristo. Esta humildade de João nos remete a outro ponto importante e paradoxal, o senhorio de Cristo.
A primeira coisa que João deixa claro ao falar de Jesus é o seu senhorio. Como é triste perceber que hoje pouco se tem falado sobre o senhorio de Cristo. A Palavra de Deus em diversos momentos mostra Jesus como Senhor.
O evangelho de João começa dizendo que Ele estava com Deus e todas as coisas foram feitas por intermédio dEle (Jo 1:1). Em colossenses Paulo afirma que nEle foram criadas todas as coisas, tanto as que estão no céu, como na terra (Cl 1:16). O autor aos Hebreus nos afirma que Ele sustenta todas coisas com o seu poder (Hb 1:3). Em apocalipse João mostra que Ele é o princípio de todas as coisas (Ap 22:13), Ele é o alfa e ômega. Jesus é o início e o fim de tudo.
Por tudo isto que acabamos de falar temos que nos render ao seu senhorio. Mesmo que você não aceite em sua vida, Ele continuará a ser Senhor. É por isso que tem tanto poder para salvar como para condenar. Em Mateus 10:28 vemos Jesus dizer o seguinte: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo”.  Muitos acreditam que Jesus se refere ao Diabo quando afirma que devemos temer aquele que pode lançar sua alma ao inferno. Ledo engano. Jesus refere-se a si mesmo. Ele é Senhor do céu e do inferno. Somente Ele pode nos livrar de lá, mas é Ele que nos condena para lá por não aceitarmos.
Muitos há que afirmam que deve-se aceitar Jesus como Salvador, mas como Senhor não precisa ter pressa. A Palavra de Deus não faz esta separação. Quando Jesus comissiona seus discípulos a pregar deixa claro que eles deveriam ensinar a guardar as coisas que Ele ensinara. Isto implica que a salvação em Cristo anda junto com seu senhorio. Jesus não é Senhor porque salva, mas salva por é Senhor.
É por isto que Bíblia nos mostra que a porta é estreita para a salvação. 

2.               O evangelho do céu não é aceito pela maioria (v. 32)

“E aquilo que ele viu e ouviu, isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho.”

Em duas ocasiões Jesus mostra a dificuldade de se entrar no reino de Deus. Em Mateus afirma duas vezes que a porta é estreita e que o caminho da salvação é apertado, contrário ao caminho da perdição (Mt 7:13,14).
Em Lucas Jesus afirma que devemos nos esforçar para entrar pela porta estreita (Lc 13:24). Este esforço aqui não pode ser entendido como nossas obras, religiosidade ou coisas parecidas. O esforço que Jesus se refere compreende exatamente o primeiro ponto, aceita-lo como Senhor e viver somente para Ele. Compreende também a humildade que deve nos levar ao quebrantamento, que por sua vez nos faz reconhecer nossos pecados, arrependidos e confessando-os diante do Pai.
Muitos estão buscando as igrejas somente porque querem se sentir melhor diante dos problemas desta vida. Não olham para a igreja como sendo uma reunião de pessoas para adoração e a comunhão no Senhor.
Há pessoas que não aceitam quando se prega sobre o pecado. Quando se alerta da necessidade de nascer de novo começando pelo arrependimento, que foi o que Jesus disse a Nicodemos. Pessoas assim ainda não conheceram o verdadeiro evangelho. Ainda não receberam de fato a Jesus em sua vida. Aceitar a Jesus é mais do que ser membro de uma igreja e congregar com alguns irmãos. Aceitar a Cristo passa a ser uma filosofia de vida inteiramente voltada para Deus e sua glória. É por isso que muitos não aceitam, mas Deus nos transforma para que possamos testemunhar. 

3.               O evangelho do céu nos impulsiona a testemunhar o testemunho de Cristo(v. 33, 34)

“Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro. Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois não lhe dá Deus o Espírito por medida.”

Pedro, escrevendo uma de suas cartas afirma:
“Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”

João e Pedro estão em perfeita sintonia. O texto joanino mostra primeiramente que antes de testemunhar é preciso aceitar o testemunho de Cristo. O testemunho de Jesus compreende todo sacrifício que Ele vez. Toda obra que operou por amor ao seu Pai e a seu povo. Jesus é o filho amado que se entrega para formar um povo zeloso de boas obras. 
O testemunho de Cristo compreende o seu amor derramado na cruz. Compreende sua entrega absoluta para sacrificar a Jesus em prol daqueles que ainda eram pecadores (Rm 5:8). Não pode haver maior amor do que este.
João Batista mostra que aquele que aceita a Cristo passa a testemunhar deste imenso amor. O maior testemunho que a igreja pode dar é o amor. O amor a Deus, sobre todas as coisas, o amor entre o irmãos, que mostra a beleza da comunhão, e, por último, o amor a todos indistintamente, que mostra o alcance de toda obra de Deus.
Este amor deve existir de uma forma visível e latente na Igreja de Cristo para que todos possam saber o alvo que está em nosso coração. Muitos afirmam que têm a Jesus mas não se esforçam para amar como Ele amava. Nosso maior testemunho, assim como o de Jesus, é o amor. O testemunho de Deus é o amor que Ele mostra da cruz. A cruz é o motivo de nossa pregação e ela aponta para algo maior e tremendo que este evangelho do céu nos proporciona.

4.               O evangelho do céu tem seu auge no julgamento final (v. 36)

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.”

Este verso final nos traz duas verdades tremendas. A primeira delas compreende que nossa salvação é algo presente. João afirma, assim como Jesus fará mais tarde em outras passagens, que nossa salvação pode ser experimentada aqui. Note bem o que ele diz: “Aquele que crê no Filho, tem a vida eterna...”. Observe que o evangelista não joga para o futuro, “terá”. Observe que ele não joga uma dúvida, “talvez tenha”. A afirmativa de João é “tem”.
Note também que João não lança mais nada para que possamos alcançar esta vida eterna, apenas afirma “Aquele que crê...”. É algo que deve nos trazer conforto e paz ao coração. Nossa vida eterna não é algo que depende de nossos esforços, de nossas obras ou de nossas conquistas. Ela é apenas uma atitude de fé.

Mas a segunda coisa que João nos ensina é assustadora. Aquele que não crê no filho está debaixo da ira de Deus. Hoje encontramos pregadores que tentam florear esta passagem. Conheço alguns que preferem passar por cima dela para não desagradar o seu auditório. Mas não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido. Se a fé nos garante a vida eterna, a falta desta nos garante o castigo eterno. Não posso deixar de falar sobre isso. Jesus veio a este mundo com o objetivo de, com seu sacrifício, formar um povo para glória de Deus. Isto está ocorrendo nestes anos todos. E todos terão uma chance até que a última tribo ouça falar de Jesus. Até que o último que tem que se converter, aceite a Jesus em seu coração. Estas são promessas da Palavra de Deus. Até lá, todos estão tendo a chance de repensar sua vida, de repensar seus pecados e derramá-los diante do pai. E, mediante a fé, receber a obra salvadora de Cristo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário