domingo, 22 de setembro de 2013

UM DIÁLOGO PARA A SALVAÇÃO – parte 1

João 4:1-18

1 E, quando o Senhor veio a saber que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João
2 (ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos),
3 deixou a Judéia e foi outra vez para a Galileia.
4 E era-lhe necessário passar por Samaria.
5 Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José.
6 E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isso quase à hora sexta.
7 Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.
8 Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.
9 Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos)?
10 Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
11 Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?
12 És tu maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?
13 Jesus respondeu e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede,
14 mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.
 15 Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede e não venha aqui tirá-la.
16 Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido e vem cá.
17 A mulher respondeu e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido,
18 porque tiveste cinco maridos e o que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade.

O contexto da vida de Jesus que estamos mostra 4 diálogos importantes. O primeiro deles é sua conversa com Nicodemos. Ali Jesus nos mostrou a importância da compreensão do que é de fato se converter. Ele mostra que a grande necessidade do homem é nascer de novo, ou seja, ser transformado em nova criatura diante de Deus. Este fato compreende o entendimento da necessidade do arrependimento e ao mesmo tempo a aceitação da obra redentora de Cristo.

Neste texto chegamos a outro diálogo muito esclarecedor sobre a questão da espiritualidade do homem diante de Deus. Jesus agora se encontra com uma mulher. Os textos do encontro com Nicodemos e com a mulher samaritana mostram um antagonismo fantástico. O primeiro era uma autoridade da lei e espiritual. Era um homem que carregava o fardo do entendimento da lei, mas que na realidade não conseguia de fato compreender o que Deus estava transmitindo. Era um religioso, mas estava longe de Deus.
A segunda era uma pessoa que a natureza era lasciva e com uma moral muito baixa. Embora fossem descendentes de judeus, os samaritanos estavam muito longe de compreender a religião verdadeira.
No início do texto duas questões são mostradas que devem nos fazer pensar. A primeira é sobre o batismo. Claramente o texto diz que Jesus não batizava, eram seus discípulos. Jesus tinha como missão principal pregar e ensinar o evangelho do reino. Ele não priorizava o batismo. Isso é importante porque nos mostra que o batismo não salva e que a missão principal da igreja é pregar o evangelho. Quando fazemos do nosso alvo batizar pessoas ou contar quantos estão se convertendo, estamos invertendo os valores do reino para a igreja local. A congregação local deve se preocupar primeiramente em ensinar corretamente o evangelho. A pregar com verdade e profundidade as verdades contidas na Palavra de Deus. Por outro lado, a ordem de batizar acompanha à de ensinar e pregar. Logo, embora não seja fundamental para a salvação deve ser obedecida como prova do testemunho diante dos homens.
A segunda questão encontra-se na divindade e na humanidade de Cristo. O texto mostra que Jesus sentiu cansaço e sede. Quão importante é saber que nosso Salvador também foi homem como nós. Ele pode se compadecer de cada um de nós porque sabe exatamente como nos sentimos. Ele conhece nossa dor. Ele conhece nossos sentimentos e nossas necessidades básicas. Jesus, através de suas duas naturezas, tem autoridade total para nos salvar e nos redimir. O início de seu diálogo com a mulher samaritana nos mostra exatamente isso. Passemos a ver a realidade dessa salvação maravilhosa de Deus.

1.               A salvação tem início no coração de Deus (v. 4-7)

A maioria dos judeus não passariam por aquele caminho. Era um caminho amaldiçoado porque tinha que passar por Samaria. Quando os assírios invadiram Israel eles fizeram com que novos colonos se achegassem àquelas terras. Por causa desta mistura os judeus passaram a rejeitar ainda mais os samaritanos. Hoje é um povo pequeno que habita em Israel. Sua religião se baseia somente nos cinco primeiros livros da Bíblia – o pentateuco. Não usam expressões tais como rabino ou coisa assim.
A ocupação de Samaria ocorrera quase 750 anos antes deste fato que agora lemos. Nesses mais de sete séculos cada vez mais eles se separaram. Não havia nenhum sentimento mais que os unia.
Quando o texto mostra que “era necessário passar por Samaria”, já é algo fantástico. Dificilmente um judeu realmente passaria por Samaria. Mas Jesus o vez. Isso mostra que a salvação é algo que brota no coração de Deus. O homem por si só jamais procuraria a presença de Deus. Este, na pessoa de Cristo, toma iniciativa de salvar os pecadores perdidos.
Este é o principal motivo que Jesus manda seus discípulos pregarem e ensinarem o evangelho. Ele quer mostrar o quanto Deus almeja alcançar o coração do homem pecador e perdido.
Por tudo isso podemos dizer que nossa salvação não depende de nossa iniciativa. Ela não depende dos esforços que fazemos. Nenhum esforço humano será suficiente para leva-lo aos pés de Cristo. A obra redentora de Cristo é completa porque é uma obra de Deus. Ela é perfeita porque é uma obra de Deus. Mas, principalmente, ela só existe porque teve início no coração de Deus. Ele poderia muito bem nos abandonar deixando-nos a bel prazer, mas, através de sua incrível misericórdia, alcançou-nos, e pede à sua igreja que o faça conhecer em todos os cantos.

2.               A salvação é um convite a todos (v. 9)


No versículo em destaque nota-se o espanto da mulher samaritana quando Jesus dirige a palavra a ela. Principalmente pedindo alguma coisa. É tremendo o modo simples como Jesus começa sua pregação. Ele está a nos ensinar que pregação do evangelho não deve ser alguma coisa institucionalizada. Não deve ser papel apenas do púlpito ou de pessoas formadas em teologia. Jesus mostra que a pregação do evangelho envolve o aproveitamento de nossa vida cotidiana, de nossa rotina diária.
Como é triste saber que pessoas saem de igrejas porque dizem que não têm oportunidade de trabalhar. A grande maioria que faz isso é porque olha para a “instituição” chamada igreja, mas de fato não está olhando para o “organismo” Igreja. Todos têm oportunidade de trabalhar, quer seja como instituição, quer como corpo. As oportunidade surgem cotidianamente, basta saber aproveitá-las.
Outro ensino neste trecho é que Jesus não olhava aquela mulher apenas como uma samaritana. Ele não olhava para os mais de 700 anos de separação entre os dois povos. Cristo olhava para aquela mulher e via uma alma necessitada. Jesus sentia compaixão daquela mulher. Ele sentia amor por ela e preocupação pela salvação de sua alma.
Esse encontro Jesus quebra alguns preconceitos para provar que a salvação é para todos:

a)    O preconceito racial

Os judeus não falavam com os samaritanos, mas Jesus, por amor, se aproxima daquela mulher de forma maravilhosa.

b)    O preconceito sexual

A mulher não tinha vez naquela sociedade, mas Jesus se aproxima dela com amor e compaixão.

c)     O preconceito religioso

Os judeus rejeitavam a religião dos samaritanos, mas pior do que isso, eles rejeitavam os samaritanos por causa de sua religião. Não podemos nos afastar da pessoas porque elas pensam diferentes de nós, mas com amor podemos mostrar a verdade de Deus. No verso 22 Jesus deixa claro o equívoco da religião samaritana, mas nem por isso deixou de tratar bem aquela mulher.

Estas barreiras que Jesus quebra apenas servem para mostrar que a salvação deve ser estendida a todos, afinal, ela é a necessidade principal do ser humano.

3.               A salvação é necessidade primária da alma (v. 14-17)

Jesus trabalha com uma estratégia tremenda. Através de sua sede ele se aproxima daquela mulher e inicia um diálogo. Ele se aproveita, como já falamos, do cotidiano para poder tratar de assuntos eternos. Ele apresenta àquela mulher a água da vida. Jesus sabia que a água é uma necessidade primária para o homem.
Sabemos que as necessidades podem ser divididas em três grupos quanto à sua importância: Primárias, secundárias e terciárias. As necessidades terciárias, ou de luxo, estão associadas à nossas satisfações pessoais ou de nossa vaidade. Por exemplo: roupa de grife, carro do ano, entre outras coisas.
As necessidades secundárias são aquelas que são importantes, mas a falta delas não é uma ameaça principalmente para vida. Por exemplo: transporte, cultura, leitura, etc.
As necessidades primárias são aquelas que sem as quais a vida do homem pode correr riscos. Por exemplo: alimentação, saúde, etc. A água entra nesta lista. A primazia da água só perde para o oxigênio. O homem pode viver muitos dias sem comida, mas não sobrevive a dois sem água.
Jesus está nos mostrando que nossa alma também tem necessidades. Todos nós queremos nos sentir bem; Queremos ter nossa autoestima elevada. Queremos ser aceitos pela comunidade que estamos. Mas nenhuma necessidade é maior do que a salvação de nossa alma. Nada pode superar o fato de que estamos destituídos de Deus e carecemos muito de sua presença em nossas vidas.
Jesus se apresenta como sendo a água da vida. É a vida eterna mais uma vez sendo apresentada. Jesus mostra que ele é a fonte desta água. Mais do isto, Jesus é a própria água. Mais uma vez a dualidade de Cristo é mostrada. Ele é a fonte e água.
Nos meus primeiros anos como pregador preguei neste texto trabalhando dentro do que a água representa para nós. É um dos poucos sermões temáticos que tenho vivo em meu coração.
Jesus como a água da vida:
i)                    Nos traz refrigério;
ii)                  Nos purifica;
iii)                Nos traz vida.

Pense sobre isso. Aceite a Jesus hoje em seu coração que ele lhe dará uma nova perspectiva de vida. 

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