segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A RELEVANTE IMPORTÂNCIA DA PREGAÇÃO

João 4:31-38

31 E, entretanto, os seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come.
32 Porém ele lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.
33 Então, os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém de comer?
34 Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.
35 Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa.
36 E o que ceifa recebe galardão e ajunta fruto para a vida eterna, para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem.
37 Porque nisso é verdadeiro o ditado: Um é o que semeia, e outro, o que ceifa.
38 Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.

A mulher samaritana, após largar o seu cântaro, saiu para contar aos outros na cidade. Neste momento chegam os apóstolos e oferecem comida a Jesus. A resposta do mestre deve nos fazer pensar sobre a relevância da pregação na vida Cristã.
Muitos passam pela vida cristã e nunca pregam a mensagem de Salvação a ninguém. Há pessoas que justificam a falta de pregação pela sua falta de dom. O que este texto nos ensina que pregar o evangelho deve fazer parte de nossa vida. Observe que Jesus se aproveitou de um fato cotidiano para dar início a pregação do evangelho. A mulher samaritana, após conhecer a salvação em Cristo, passou a pregar imediatamente àqueles que lhe cercavam. Quando os discípulos chegam e oferecem comida a Jesus ele ainda estava muito concentrado na conversa que teve com a mulher. E passa a mostrar a importância de se fazer a obra de Deus através da pregação rotineira do evangelho de Cristo.
A Palavra de Deus nos garante que a fé vem pelo ouvir (Rm 10:17), logo não podemos negligenciar a importância que tem a pregação pura da Palavra de Deus. O texto em questão nos mostra a importância da pregação.

1.               Deve ocupar um lugar especial em nossa vida (v. 31-33)


Os discípulos voltam da cidade e logo encontram com Jesus. Eles estavam preocupados com Ele, afinal já era tarde e Ele não tinha ainda comido. Eles se aproximam dele e já demonstram sua preocupação pedindo que Ele coma. A resposta de Jesus é simples, mas muitos direta: “Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.”

Os discípulos, assim como muitos hoje, não conseguiam enxergar a essência do cristianismo. Eles não conseguiam compreender o que realmente estava acontecendo. Eles não enxergavam a dimensão celestial que compreendia o ministério de Jesus. Somente quando alguém realmente se converte a Cristo consegue compreender toda essa dimensão. Eles ainda não haviam se convertido, isto mais tarde Jesus iria deixar claro.
Talvez você esteja na igreja e a busque apenas para satisfazer a dimensão física desta vida, Jesus veio para nos trazer algo muito maior. Ele veio para cumprir a vontade de Deus na cruz e transformar homens e mulheres em novas criaturas.
A maneira que Deus escolheu foi através da pregação. A Bíblia diz que a fé vem pelo ouvir a pregação da Palavra (Rm 10:17). Esta pregação precisa expor exatamente aquilo que nossa alma precisa, e não o que nosso corpo precisa. A mulher samaritana ficou encantada em saber que Jesus podia fazer jorrar uma água que nunca acabava, mas ainda estava presa a esta vida. Mas quando conseguiu ver a dimensão do ministério de Cristo, através do fato dEle ser o Messias prometido, ela compreendeu o que realmente era a eternidade. Mas Jesus precisou falar para ela.
A pregação deve ocupar o lugar central não apenas do púlpito, mas de nossa vida. Ela precisa ser o alvo de nossa conversa. Há um hino no cantor cristão que reflete bem isso:

Sabeis falar de tudo
Que neste mundo há,
Mas nem sequer palavra
De Deus, que tudo dá?!

   Irmãos! Irmãos! Falemos
   De nosso Salvador;
   Oremos ou cantemos
   E demos-lhe louvor!

Falamos do mau tempo,
Do frio e do calor;
Oh, bem melhor seria
Falar do Salvador!

Falemos da bondade
Do grande Salvador,
De sua excelsa graça,
De seu imenso amor!

Da cruz também falemos,
Onde ele nos quis dar
Seu sangue tão precioso,
E assim nos resgatar.
Conversão, Hino 421, Cantor Cristão.

Somos capazes de conversar de tudo, menos sobre a cruz. Sobre capazes de perder horas falando sobre time de futebol, mas não somos capazes de em alguns minutos, expormos aquilo que Cristo fez para nos salvar. Jesus está nos mostrando que a pregação deve ocupar um lugar muito especial. Mas ela precisa também ser feita dentro da vontade de Deus.


2.               Baseia-se sempre na vontade de Deus (v. 34)

“Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra.”

Eis uma coisa complicada para nossos dias, fazer a vontade de Deus. Além de enfatizar a centralidade de pregação em sua vida, Jesus mostra que esta precisa ser feita dentro da vontade de Deus.
Não são estratégias mirabolantes, ou cultos para agradar esse ou aquele grupo que fazem de nossa pregação poderosa, mas é a pregação dentro da vontade de Deus.
É por isso que creio que a Bíblia precisa ser pregada por inteiro. Não podemos escolher o que vamos pregar, mas precisamos apenas ser direcionados pelo Espírito Santo mediante a leitura e a exposição da Palavra de Deus.
Spurgeon, conhecido como príncipe dos pregadores, viveu um momento difícil em sua vida que o levou ao exílio espiritual. Ele, juntamente com Robert Shindler, começaram uma série de artigos em 1887, mostrando o caminho terrível que a Igreja caminhava por se afastar da Palavra de Deus. Por se distanciar da vontade de Deus. Shindler escreveu um artigo intitulado “O Declínio”, que foi publicado na revista que Spurgeon era editor, chamada “A Espada e a Colher de Pedreiro”. No artigo o escritor mostra a decadência do povo de Deus em se afastar da confiança da pregação da Palavra de Deus. Eles tentaram mostrar que a Igreja estava se afastando dos propósitos de Deus.
Jesus está mostrando nesta passagem que nossa missão na pregação é pregar exatamente aquilo que Deus determinou. Sem acrescentar nada, ou tirar nada. Nossa pregação deve se basear sempre na vontade de Deus e não em nossa. Não podemos pregar aquilo que as pessoas querem ouvir, mas precisamos pregar aquilo que elas precisam ouvir. Isto implica em conhecer a vontade Deus e saber que o que elas mais precisam é saber a obra da Cruz.

3.               Valoriza a obra da cruz (v. 36)

“E o que ceifa recebe galardão e ajunta fruto para a vida eterna, para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem.”

A ideia do que semeia significa que Jesus estava olhando diretamente para sua obra na cruz do calvário. É necessário que a semente morra para que nasça a planta. O nascimento da Igreja iria vingar exatamente quando Cristo morresse.
O que Jesus está mostrando com essa linguagem que o centro de sua obra encontra-se inteiramente na Cruz. O Calvário é o ponto máximo da obra de Cristo e é através dele que alcançamos a vida eterna. Nossa pregação deve ser voltada inteiramente para Cruz.
Paulo, escrevendo aos Coríntios, mostra claramente esta ideia: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado”. Cristo crucificado é o alvo de nossa pregação pois através de sua morte somos expostos à vida eterna. Nós não cremos no poder do crucifixo, mas cremos no poder da Cruz. Hoje, ela está vazia, mas foi através dela que chegamos à vida eterna.
A verdadeira pregação valoriza a obra da Cruz. Hoje se valoriza a obra de homens, de psicólogos e psiquiatras, mas poucos realmente valorizam a obra da Cruz. Preocupa-se com Palavras persuasivas, mas não se confia na Palavra da Cruz.
Jesus, ao falar da semente que representa exatamente a sua morte, está mostrando o valor da cruz. Um belíssimo hino de nossa hinologia afirma:
Foi na cruz, foi na cruz onde um dia eu vi
Meu pecado castigado em Jesus;
Foi ali, pela fé, que meus olhos abri,
E eu agora me alegro em sua luz.

Meu amado e minha amada, hoje eu lhe convido a confiar inteiramente na Cruz. Ela foi um lugar de horror para Jesus, para que para nós se tornasse um lugar de vitória. Foi nela que Jesus nos limpou do pecado que nos separou de Deus.

4.               A pregação é uma obra contínua (v. 37, 38)

“Porque nisso é verdadeiro o ditado: Um é o que semeia, e outro, o que ceifa. Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.”

A ideia de outros trabalharem envolve os profetas e pregadores que antecederam os apóstolos e o envio compreende a importância de se continuar pregando. Paulo afirma que a profecia um dia vai acabar, mas isso só vai ocorrer quando Cristo voltar.
Jesus aqui está enfatizando a necessidade de continuarmos pregando a mensagem de salvação. De continuarmos expondo aquilo que ele nos ensinou. Em Mateus 28:19-20 Jesus comissiona seus discípulos a pregarem. Esta comissão vale para nós hoje. Ele nos comissiona a ensinar todas as coisas que ele nos mandam guardar.
O próprio Jesus afirma que a pregação vai alcançar toda terra, para depois ser fim (Mc 13:10). E nesse mesmo texto ele mostra que essa pregação é o nosso testemunho.
Se você é membro de uma igreja, Deus o chama para pregar a sua Palavra. Deus o chama para que você possa ensinar a outros, para que outros possam saber que Ele é Deus e fora dEle não há salvação.

A igreja de Jesus parece que está desistindo de pregar. Com o anseio de se lotar igreja ou garantir salário aos pastores, perdeu-se o foco na pregação, perdeu-se o foco na cruz. Precisamos recolocar a pregação em seu devido lugar, e a cruz em seu devido lugar. O centro de nossa vida deve ser a pregação, com um testemunho vivo de Cristo. E o centro de nossa pregação precisa ser cruz, onde nossos pecados foram totalmente limpos pelo sangue ali derramado. 

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