segunda-feira, 25 de março de 2013

UMA FAMÍLIA COMPROMETIDA COM O SENHOR



Lucas 2:39-52

39 E, quando acabaram de cumprir tudo segundo a lei do Senhor, voltaram à Galiléia, para a sua cidade de Nazaré.
40 E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele.
41 Ora, todos os anos, iam seus pais a Jerusalém, à Festa da Páscoa.
42 E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa.
43 E, regressando eles, terminados aqueles dias, ficou o menino Jesus em Jerusalém, e não o souberam seus pais.
44 Pensando, porém, eles que viria de companhia pelo caminho, andaram caminho de um dia e procuravam-no entre os parentes e conhecidos.
45 E, como o não encontrassem, voltaram a Jerusalém em busca dele.
46 E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os.
47 E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas.
48 E, quando o viram, maravilharam-se, e disse-lhe sua mãe: Filho, por que fizeste assim para conosco? Eis que teu pai e eu, ansiosos, te procurávamos.
49 E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?
50 E eles não compreenderam as palavras que lhes dizia.
51 E desceu com eles, e foi para Nazaré, e era-lhes sujeito. E sua mãe guardava no coração todas essas coisas.
52 E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.

 
Único acontecimento narrado de Jesus antes de seu ministério já adulto. Muitos criam histórias fantasiosas sobre Jesus. Alguns afirmam que ele foi criado pelos essênios, mas a Bíblia deixa claro que foi criado em Nazaré, enquanto que os essênios viviam de forma isolada. Além disso, ele tinha a profissão do pai terreno (Mt 6:3), o que significa que teve um treinamento com o mesmo.
A tradição dizia que até os 12 anos um menino ainda não era considerado na sociedade. Há no judaísmo uma festa, conhecida como Bar-Mitzvá, que celebra a chegada da adolescência. Isto ocorre aos 13 anos. É chamada a idade da responsabilidade. Entre as meninas se dá aos 12 e é chamada de Bat-Mitzvá.
O que espanta os doutores da lei é que Jesus mostra conhecimento e maturidade antes dessa idade. Normalmente era a partir dos 12 anos que o menino passava horas estudando a lei (Torá) para que pudesse quase que declamá-la quando chegasse aos 13 anos.

Passemos a analisar o testemunho da família de Jesus.

1.    Uma família com uma vida piedosa (v. 39)

Piedade em muitos textos significa compaixão e dó. No contexto atual quero trabalhar outro lado da piedade que é o respeito pelas coisas religiosas e a devoção a Deus através da frequência às reuniões espirituais.
Cada dia que passa tem se perdido a ideia de piedade cristã. Menos e menos pessoas têm interesse de estar com a igreja reunida em seus templos. Quando se vai, busca-se apenas o interesse social e não o espiritual. Ser bem recebido e ter um ambiente socialmente perfeito são mais importantes do que aprender da Palavra e buscar a presença de Deus através do culto coletivo.
Era obrigação dos judeus frequentar o templo nas festas da Páscoa, Pentecostes e Tabernáculo. Os pais terrenos de Jesus mostram um senso de responsabilidade muito grande. Sabendo quem ele era, eles podiam não se preocupar com a participação das festas, mas é exatamente o contrário. Participavam da páscoa como sendo algo prioritário em suas vidas.
Muitos hoje não conseguem priorizar as reuniões da igreja. Priorizam seus lazeres, passeios, festas, visitas familiares, trabalho, entre tantas outras coisas, mas não priorizam as reuniões.
O autor aos Hebreus escreve dizendo que não podemos deixar de ter esta vida piedosa, pois é ela que nos ajuda a aguardar, através da admoestação mútua, o dia do Senhor (Hb 10:25). A família de Jesus nos ensina que regularmente estava no templo e levava o menino Jesus e com certeza os seus outros filhos. A igreja tem um papel importante na formação do caráter e da vida de nossos filhos.
Quando você troca a igreja pelo lazer, você está dizendo para seus filhos em outras palavras que a igreja não é tão importante assim. Você está dizendo que aprender de Deus não é tão importante assim. A família de Jesus nos dá um grande exemplo de piedade. Como está sua vida de piedade religiosa?

 

2.    Uma família com compromisso com a obra (v. 41)


Além de frequentar o templo eles cumpriam com seus compromissos. Muitos até vão ao templo, mas visam apenas seus próprios interesses. Não entregam seus dízimos. Não cumprem com seus compromissos de ministérios. São pessoas que apenas querem ter o nome como líder ou obreiro, mas não estão dispostos a pagar o preço por isso.
A família de Jesus, além de sua frequência no templo, tinha sempre disposição de serviço. Prestavam um culto completo. Imagino que se estavam em Nazaré iam todas as semanas às sinagogas.
A palavra de Deus nos garante que todos temos pelo menos um dom. Deus capacita a todos aqueles que salva com um dom para servir (I Pe 4:10). Para que possamos realmente mostrar que somos cristãos precisamos ter em mente que nossa vida precisa ter compromisso diante de Deus. Ir apenas ao santuário não significa compromisso. Compromisso é quando se pratica aquilo que se está ouvindo e lendo na Palavra de Deus. Compromisso é quando se coloca à disposição para trabalhar naquilo que é necessário.
Muitos querem que suas igrejas tenham estrutura para sua família, mas normalmente estes são aqueles que buscam grupos já estruturados porque não estão dispostos a pagar o preço do serviço. Não querem compromisso real, mas querem usufruir do compromisso que outros têm.

3.    Um exemplo de filho (v. 46, 51)


Alguns afirmam que este texto prova que Jesus pecou pelo menos quando era criança. Lucas não entra em detalhes de como se deu este fato, mas creio no que diz o autor aos hebreus, que Jesus não teve pecado, embora em tudo tenha sido tentado. Acredito realmente que aqui temos apenas um momento da limitação humana que fez com que ele se distraísse no templo e seus pais, por saberem de sua natureza obediente se despreocuparam.
Lucas faz questão de narrar que após o fato Jesus foi com José e Maria e em tudo lhes foi obediente. Ele mostra sua capacidade de se humilhar de uma forma maravilhosa e por isso aprendemos com Ele como deve ser a postura de filhos diante de seus pais.
Porém há coisas que aprendemos com o menino Jesus que devemos refletir para nossas vidas:

a)    Jesus tinha sede de conhecer a Deus.


Apesar de ser Deus o menino Jesus ainda estava limitado pela sua natureza humana. Ele precisa crescer em sabedoria e conhecimento. Ele busca no lugar onde se reunia os homens mais sábios e conhecedores da lei de sua época, no templo. Ele vai até a casa de Deus para poder buscar mais conhecimento, buscar mais a presença de Deus.
O melhor lugar para que você possa ter sabedoria e conhecimento das coisas de Deus é no templo, na reunião com os santos. Muitos têm trocado a reunião com os santos por jogo de futebol, por praia ou lazer. Como é triste isto. Isto é um tipo de idolatria. Como é lamentável saber que muitos jovens preferem se divertir a realmente aprenderem.
Devemos sempre buscar o conhecimento de Deus para nossas vidas e o melhor lugar para que possamos alcançar é através da igreja, nas reuniões no templo. Jesus sabia disso desde novo. Siga o exemplo de Jesus.

b)    Desejo de cumprir a vontade de Deus.


Outra questão importante é quando ele afirma para Maria que precisava tratar dos negócios de seu Pai. Maria não entendera porque provavelmente já se acostumara com ele como filho de José e não se lembrou, assim como José, que ele era filho do Altíssimo.
O menino Jesus mostra um desejo enorme de fazer a vontade Deus. É este desejo que o vai impulsionar para cruz. É este desejo que o vai levar até à morte no Calvário.
Hoje vemos que muitas vezes não queremos fazer a vontade de Deus. O Senhor nos mostra pela sua Palavra qual a sua vontade, mas infelizmente não buscamos. Estamos longe de querer cumprir a vontade de Deus para nossas vidas.
A maior vontade de Deus é que nós aceitemos a sua mensagem. Que aceitemos o sacrifício de Cristo para nossas vidas.