sábado, 9 de fevereiro de 2013

ESCOLHENDO UMA IGREJA – Parte 3



Uma igreja que me sinta bem


Esta foi a desculpa que eu mais ouvi: “Estou procurando uma igreja onde me sinta bem”. As outras desculpas fazem parte de uma pesquisa que fiz nos bairros onde morei ou estudei. Sei que a igreja que pastoreio atualmente tem seus problemas. Inclusive luto muito para que isto possa acabar, mas não é tão simples assim. Por causa da incredulidade o povo de Israel teve que esperar uma geração para entrar na Terra Prometida. Moisés foi o líder durante todo esse período e, apesar de ser o homem mais manso da terra e o maior líder que Israel teve, ele não conseguiu levar sua geração à Terra Prometida. Isaías pregou e o povo não deu ouvidos à sua mensagem, assim como Ezequiel e outros profetas.
Sei que quando um time não vai bem a tendência é dizer que a culpa é do técnico. Corinto é um bom exemplo que nem sempre é assim. A igreja teve como pastores Pedro, Apolo e Paulo, e mesmo assim continuava sendo uma igreja carnal. A igreja de Sardes é conclamada a caminhar naquilo que estava ouvindo, ou seja, a exposição da Palavra. É muito difícil determinar de quem é a culpa quando uma igreja não vai bem, mas ainda assim creio que esta é mais uma desculpa de quem realmente não quer compromisso real com o Senhor ou que está enganado no que tange ao serviço a Deus.
Jesus afirmou que no mundo teríamos aflições. É interessante notar que ele não disse “de vez em quando”, “eventualmente”  ou “talvez”; Ele categoricamente afirma: “Tereis”. Paulo traduz essa ideia de uma forma dura:
“Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas.” (II Tm 4:3,4 – grifo meu)

Em nenhum lugar da Bíblia é prometida uma igreja local onde as pessoas se sentiriam bem. É óbvio que a igreja deve oferecer o melhor ambiente possível, mas isto é o ideal, mas não necessariamente o real.
Quando Noé foi chamado com sua família para arca oito pessoas foram salvas do dilúvio. Mas uma coisa poucos param para pensar. Noé e sua família conviveram até o resgate com mau cheiro, umidade, grunhidos, latidos, entre outros sons e cheiros que os incomodavam. A arca não era um lugar que os fazia se sentir bem, mas com certeza ela era o lugar através do qual Deus os levaria para experimentar a salvação dEle.
Sentir bem na igreja deve ser algo a se buscar, mas sabendo que isto nem sempre vai ocorrer. Onde o ser humano trabalha o pecado sempre existirá.  


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

ANUNCIANDO AS BOAS NOVAS



Lucas 2:8-20

8 Ora, havia, naquela mesma comarca, pastores que estavam no campo e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho.
9 E eis que um anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.
10 E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo,
11 pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
12 E isto vos será por sinal: achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.
13 E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo:
14 Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens!

Eis um dos momentos mais representados em peças e em filmes. Um momento impar na história da humanidade. Anjos se manifestam a muitas pessoas de uma vez só. É o anúncio do grande Salvador da humanidade. Jesus nasceu de uma forma humilde para que sua glória se manifeste toda em sua volta.
Aos anjos não é ordenado anunciar o evangelho (I Pe 1:12), mas nesta passagem ímpar, eles demonstram como o evangelho deve ser anunciado e o que representa este anúncio diante de todos. Creio que serve como ensino para que possamos anunciar a grande nova de salvação.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

PASSOS AO VERDADEIRO ARREPENDIMENTO



Oseias 6:1-6

O último verso do capítulo 5 é uma deixa para os próximos 6 versículos do capítulo 6. A versão Revista e Corrigida de Almeida deixa isto claro quando coloca dois pontos na última oração do capítulo 5.
“Irei e voltarei para o meu lugar, até que se reconheçam culpados e busquem a minha face; estando eles angustiados, cedo me buscarão, dizendo:”

Deus não se agrada em castigar o seu povo. Mas ao mesmo tempo sua santidade e justiça não aceitam o pecado que habita no meio dos seus escolhidos. Mesmo aqueles que faziam parte do remanescente de Deus sofreriam com a disciplina do Senhor.

Vejamos o que nos diz o autor aos Hebreus:
“ porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos.” (Hb 12:6-8).

Creio que a tribulação não será para um grupo de desobedientes que não andaram segundo a vontade Deus. Mas será para todos que têm o seus nomes escritos no livro da vida e estiverem vivos naqueles dias. A tribulação recairá sobre todos; uns para correção; outros para serem peneirados; e, finalmente, alguns para testemunharem para todos. Assim como Daniel, Sadraque, Mesaque e Abdenego foram levados para a Babilônia, mesmo sendo pessoas de vidas retas, também com a igreja isto ocorrerá. Daniel e seus amigos pagaram o preço pelos muitos pecados que seu povo cometera diante de Deus. Nos últimos dias, a Igreja verdadeira pagará o preço pelos erros de muitos que permitiram que a falsa igreja contaminasse a noiva do Senhor.
Oseias mostra que, após o arrependimento, o povo de Deus tem uma mudança de atitude. Estas parecem ser palavras de alguém realmente arrependido. E isto que passaremos a analisar agora. Porém, vale ressaltar, que o arrependimento do povo não era verdadeiro, e isto será assunto para o próximo sermão.

1.    Retorno à presença do Senhor (v. 1)

“Vinde, e tornemos para o Senhor, porque ele despedaçou e nos sarará, fez a ferida e a ligará.”

Retornar à presença de Deus hoje é muito mal entendido. Muitos acreditam que voltar à presença do Senhor significa frequentar ativamente a igreja local participando de todos os trabalhos, etc. Outros acreditam que voltar à presença de Deus é procurar viver uma vida correta, mas que frequentar igreja é desnecessário. São duas coisas que carregam certa verdade, mas há um peso maior de engano. Israel achava que retornar à presença o livraria do castigo (“despedaçou e nos sarará”). O retorno à presença de Deus é muito mais do que isto. 
Em primeiro lugar é importante entender que o retorno à presença de Deus envolve arrependimento pelos pecados cometidos. O verso 15 do capítulo anterior mostra que Deus aguarda o arrependimento por parte de Israel. Não era apenas passar a viver corretamente, mas era necessário o arrependimento.
Em segundo lugar deve-se entender que não há arrependimento sem comunhão com os santos. Observe que o texto está no plural “tornemos ao Senhor”. Logo está presente a reunião dos santos é uma das provas de que temos comunhão com Deus. O povo de Israel praticava seus rituais coletivamente, e Deus não condena a prática, Ele condena a prática dos ritos, sem o arrependimento e sem a busca sincera. Jesus afirma que para a presença dEle ser confirmada são necessárias duas ou mais pessoas (Mt 18:20). Esta é a ideia do “tornemos” (no plural). Ninguém é Igreja sozinho. A Igreja é composta de pessoas, reunidas em espírito e em verdade.
Por último, o retorno à presença do Senhor envolve um abandono da prática do pecado. O texto diz que o Senhor “despedaçou e nos sarará, fez a ferida e a ligará”. Embora a cicatriz da disciplina do Senhor esteja ali, a ferida não existe mais, pois o pecado não existe. É preciso entender que quando se arrepende deve-se procurar o máximo se afastar do pecado. Israel entendia isto perfeitamente.
O verso 2 é uma profecia sobre a morte e ressurreição de Cristo. Algo que vai além do literal traz a ideia da nossa vida para sempre com Senhor. Quando retornamos de fato para presença de Deus experimentamos algo que é para sempre. Pena que o povo aqui não está retornando de verdade; há apenas o interesse de não ser castigado.
Aquele que realmente se arrepende diante de Deus está pronto para retornar à sua presença. E este retorno o leva a querer conhecer o Senhor.

2.    Desejo de conhecer continuamente ao Senhor (v. 3, 6)

“Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor: como a alva, será a sua saída; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.”

Os três primeiros versos deste capítulo representam a fala do povo aparentemente arrependido. Um dos resultados desse arrependimento verdadeiro é o desejo de conhecer mais e mais ao Senhor. Que pena que hoje as pessoas preferem conhecer quem são os cantores gospel do momento, mas não se preocupam com o conhecimento da Palavra de Deus.
Como é triste hoje de nossos púlpitos ouvirmos mais mensagens de autoajuda e motivacionais, do que a exposição pura da Palavra transformadora. Mais triste ainda é perceber que é isto que o povo deseja. O que nos consola é que Jeremias falou isso a quase 3000 anos e Paulo também a quase 2000.
Esse desejo de conhecer envolve algumas coisas que hoje se ignora. Primeiramente envolve perseverança: “prossigamos em conhecer o Senhor”. O verdadeiro cristão deseja ouvir a voz de Deus, não apenas para consolá-lo ou motivá-lo, mas para corrigi-lo e direcioná-lo.  David A. Hubbard afirma que esse desejo de conhecimento envolve uma compensação pelo pecado da idolatria.
Em segundo lugar conhecer ao Senhor envolve mostrar resultados desta busca. A chuva serôdia além de refrescar a terra também a revigora para esta produzir frutos. Oséias refere-se aqui àquele momento em que, após um bom período de seca, a chuva vem quando ninguém espera, temporã.
E finalmente, conhecer ao Senhor envolve resultados duradouros. Deus fala através do profeta no verso 4 que “a vossa beneficência é como a nuvem da manhã e como orvalho da madrugada, que cedo passa”. A ideia do profeta é que quando alguém realmente se arrepende seus frutos não são passageiros; não são por alguns momentos. As nuvens da manhã em Israel enganavam os que não conheciam aquela região, assim como o orvalho que parecia que ia ajudar na irrigação, mas na realidade não era suficiente para dar vida à terra. Quando não há arrependimento seguido do verdadeiro conhecimento, nossos resultados são passageiros.
O autor aos hebreus fala isto no capítulo 5 até boa parte do 6. Pessoas que deveriam ser mestres, mas ainda não produziam frutos do seu conhecimento.


3.    Vida acima dos ritos e atos religiosos (v. 6)

“Porque eu quero misericórdia e não sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.”

Os dois passos anteriores são fundamentais, mas sem uma vida e um arrependimento sinceros, eles não tem valor algum. Como disse, até o versículo 3 é o próprio povo falando. São palavra verdadeiras, mas lhes faltava o passo final: vida acima dos ritos e atos religiosos.
A partir do verso 4 Deus retoma sua fala. Sacrifício e holocausto representam os ritos da religião judaica. O Senhor expressa o que seu coração deseja. Apesar de palavras corretas, elas estavam apenas cheias de religiosidade, mas sem vida, não havia o mais importante que Deus deseja no versículo 15, arrependimento sincero seguido de vida. Deus então entra em cena para completar os sinais de um verdadeiro arrependimento. Alguns se baseiam neste versículo para afirmar que Deus está abolindo os rituais que ele mesmo criara. Isto não é verdade. A expressão “mais” expressa bem o que Deus quer dizer; conhecer é mais importante do que praticar rituais, mesmo que estes tenham sido criados por Deus.
Dentro dos mandamentos do Senhor há escalas de valores. A prova disto é que Jesus resumiu todos em dois. Não que existam somente esses dois, mas que todos os outros devem derivar destes. Por exemplo, “não furtarás” não foi abolido, porque quem ama ao próximo como a si mesmo não vai querer fazer o mau para esse próximo.
Logo, o que Oséias está mostrando é que o povo estava cheio de ritos e os fazia constantemente, mas não buscavam conhecer a Deus que era muito mais importante. Jesus trabalhou um argumento semelhante com os escribas e fariseus. O Mestre mostrou em Mateus 23:23 e Lucas 11:42 que eles não deveriam desprezar o mais importante da lei sem se deixar de participar com seus dízimos, mesmo estes sendo menos importantes que aqueles.
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer essas coisas e não omitir aquelas.” (Mt 23:23)

O conhecimento que se refere Oseias não é apenas no sentido intelectual. Tem haver com sentido de intimidade real. No livro de Gênesis quando o escritor quer se referir ao ato sexual usa a expressão conhecer. Isto tem haver com o fato que o sexo é o ato sublime que une um casal. Na Bíblia, Deus é retrato como o Noivo e a Igreja sua Noiva; é a ideia da intimidade sublime. Do querer estar junto e fazer a vontade do Noivo. É esta intimidade que Oseias se refere, é este conhecimento que precisamos ter do Senhor.
Os ritos podem e devem existir, mas eles não valem nada sem o mais importante que, no caso de Oséias, refere-se à misericórdia e o conhecimento de Deus. Aquele que realmente se arrepende não deixa de buscar conhecimento e viver uma vida piedosa diante de Deus. Precisamos ter uma vida acima de nossos ritos, não precisamos aboli-los, apenas colocá-los em seu devido lugar. Jesus não aboliu o dízimo, apenas disse que ele é menos importante do que o juízo, a misericórdia e a fé.