segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A MENTE DE CRISTO NO MUNDO MODERNO


Antonio Carlos G. Affonso

A Mente de Cristo: Conversão e Cosmovisão Cristã (Vida Nova, 2012, 224 páginas) de Norma Braga Venâncio é um livro que trata os aspectos da cosmovisão cristã versus a cosmovisão secular. A autora mostra um perfil conservador sobre o assunto buscando manter a centralidade de seus argumentos numa interpretação ortodoxa das Escrituras.
Norma divide seu livro em três partes onde são inseridas crônicas e artigos escritos pela autora. Na primeira parte Norma Braga nos apresenta seu testemunho de conversão. Ela tem uma grande preocupação em mostrar a consciência de pecado que preencheu sua mente levando-lhe à “felix culpa”. Nesta parte ela mostra que a Igreja atual não está isenta do sincretismo que o mundo procura lançar sobre ela. Desta maneira ela destaca a necessidade do conhecimento de Deus e o viver e a salvação somente pela fé.
Ela encerra esta parte mostrando que ainda está em processo de aperfeiçoamento deixando o relativismo emocional e passando para uma fé madura e consciente de suas responsabilidades. Neste interim ela afirma que abre o seu blog e este serve como meio de reexame do seu cristianismo.
A segunda parte Norma chama de “Crônicas de fragmentação moderna”. É a maior parte do livro. Ela a subdivide em duas: “A religião secular” e “O secularismo religioso”. Na primeira subdivisão percebe-se uma preocupação sadia em mostrar que o politicamente correto nem sempre é aquilo que a Bíblia determina. Destaca-se nesta seção a defesa do conservadorismo e um ataque veemente da autora contra a esquerda política. Em alguns momentos ela parece transparecer certo ressentimento pelo posicionamento político. Mas em outros a escritora mostra uma lucidez bem acima da média no que tange questões político-sociológicas. Ao mostrar que nazismo e comunismo são “gêmeos heterozigotos” a autora se posiciona contra qualquer tipo de totalitarismo.  Neste ponto ela deixa claro que vê na esquerda brasileira, ou mesmo na ocidental, tentativas de criar, através daquilo que se chama politicamente correto, uma espécie de totalitarismo pseudodemocrático.
A autora muda seu argumento, mas não perde sua premissa quando parte para mostrar os problemas da homofobia e do aborto. Com muita propriedade, para não dizer autoridade que fica exposta na crônica “Dezenove Semanas de Amor”, a autora mostra que estas coisas são faces de uma mesma moeda. Ela destaca ainda que os homossexuais querem algo no ocidente, mas não estão nem um pouco preocupados com aqueles que são mortos em países onde o homossexualismo é proibido. Norma destaca que aqueles que querem acabar com a homofobia, querem na realidade privilegiar uma minoria marginalizando outros grupos, no caso os cristãos conservadores. Nesta parte a autora faz uma crítica à posição de Philip Yancey, onde em muitos de seus livros e palestras, tem se posicionado a favor do homossexualismo.
A autora passa a descrever questões sobre machismo e feminismo. Ela mostra que as duas polarizações são perigosas e estão longe da vontade de Deus. Expõe sobre o perigo dos homens não assumirem sua posição de liderança e também das mulheres usurparem esta posição que, de acordo com a autora, foi estabelecida por Deus para por ordem das coisas e não porque haja alguém superior a outrem.
Norma Braga descreve um racismo às avessas quando mostra que foi vítima de preconceito por parte de uma mulher negra. Neste ponto ela passa a mostrar que a forma como a luta contra o racismo é feita demonstra um desvio para caminharmos para outro tipo de preconceito.
Na parte final desta seção Norma Braga destaca o perigo de uma fé baseada em comprovações científicas. Na crônica “A Fé faz bem a saúde” ela destaca que nossa fé não deve ser baseada em coisas que fazem bem para esta vida, mas deve ser voltada para coisas muito maiores que estas. Além disso, há uma preocupação latente no escrito da autora para que o cristianismo não viva dos subjetivismos e relativismos que o mundo propõe. Norma mostra que os preceitos de Deus devem prevalecer diante dos anseios humanos.  
A escritora volta a atacar a questão do aborto com relação ao cuidado que devemos ter sobre linguagens que camuflam o pecado dando a ele outra roupagem. Ela deixa clara sua posição contrária ao aborto, independente da situação que levou a gravidez, ou mesmo a saúde mental da criança.
Na crônica “O Pastor e o Filósofo” a autora mostra de uma forma esclarecedora os perigos da influência secular sobre a mente de alguém que, apesar de ser pregador, não tinha uma base sólida em sua doutrina. Um pastor que tinha dificuldade em aceitar a soberania de Deus e a existência do mal. Seguindo nesta linha a autora mostra o perigo que é crer de uma forma relativa. Neste ponto a autora mostra que (1) o mal existe desde o Éden (quero crer que a visão dela aqui se limita a humanidade, pois segundo na Bíblia vê-se que o mal existe antes do Éden); (2) até a redenção total Deus administra o mal no mundo de um modo que foge ao nosso entendimento; (3) a administração divina não tira a culpa do homem; (4) O arbítrio humano se restringe ao tempo, enquanto a soberania de Deus é atemporal. Dentro desta linha que se encontra na crônica “Outro Deus”, a autora mostra a falibilidade da argumentação de Ricardo Gondim (vide http://www.ricardogondim.com.br/estudos/tempo-de-partir/). Ela desvenda com muita lucidez e perspicácia as contradições nas argumentações do respeitável escritor, principalmente no que tange à Palavra de Deus, onde, da forma que ele argumenta, parece que à Bíblia não é a Palavra de Deus, mas estaria repleta de contradições. Além disso, o Pr. Gondim se contradiz quando afirma que tudo que venha a falar sobre Deus é especulação, uma vez que não é possível conhece-Lo. Exposto isso, a autora descreve um fenômeno que ocorre na igreja brasileira, onde pastores têm se voltado para apoio a linhas liberais em função de uma teologia voltada para o social.
Mais uma vez a autora ataca a esquerda política. Depois disto, a nobre escritora desmonta as argumentações que limitam Deus em sua soberania tirando do Ser supremo o controle das coisas. Ela mostra que Deus é Deus exatamente por não perder o controle de nada. Ela descreve isto sem perder a ideia de que o homem é o responsável pelo mal que assola o mundo, mas Deus não perdeu o seu controle soberano.
Na terceira parte a escritora passa a mostrar o caminho para resolver as questões que foram levantadas na parte central. Ela inicia destacando o problema de nossa falibilidade infinita e a graça infinita de Deus que, em Cristo, nos resgata. É o grande dilema de estar no mundo sem ser do mundo, que intitula a segunda crônica desta parte. É saber que Jesus nos oferece coisas muito melhores e maiores das que estão no mundo. Afinal, somente em Cristo temos vida plena e verdadeira.
A autora mostra uma preocupação com as diferentes cosmovisões humanas que, acareadas com a cosmovisão cristã, mostram um deus longe dAquele que a Bíblia apresenta. A base argumentativa da escritora desnuda um ideal maior e perfeito na conversão a Cristo. Que por sua vez nos leva para uma visão de conforto eterna de algo melhor que nos aguarda.
O fechamento do livro mostra textos profundos que declaram mais uma vez a autoridade das Escrituras e a maravilhosa ação da graça de Deus em nossas vidas. Feito isso, a escritora encerra mostrando mais alguns pontos pessoais cuja ponta do iceberg foi a perda do seu filho com dezenove semanas de gestação. Por fim, Norma mostra a importância de sairmos do mundo individualista que temos, principalmente olhando para sociedade brasileira, para que possamos ver o mundo pela ótica e a mente de Cristo.
O livro traz verdades profundas. A maioria das crônicas é de leitura fácil e atraente. Indico este livro para todos os cristãos que queiram realmente pensar em um cristianismo sério e que esteja dentro dos padrões estabelecidos por Deus.


Referência Bibliográfica:
VENÂNCIO, Norma Braga. A Mente de Cristo: Conversão e Cosmovisão Cristã.  São Paulo , SP: Vida Nova, 2012.

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